
O negacionista climático, amante número um dos combustíveis fósseis, ataca novamente. O governo Trump ameaçou na 6ª feira (10/10) restringir vistos e impor sanções a países que votem a favor do plano apresentado pela Organização Marítima Internacional (IMO) para descarbonizar o transporte marítimo internacional, segundo a Reuters.
Os países-membros da ONU devem votar nesta semana a proposta do Marco Líquido Zero da IMO para reduzir a quantidade de gases de efeito estufa emitidos pelo setor, que movimenta cerca de 80% do comércio mundial e é responsável por quase 3% das emissões globais. Mas o “agente laranja” e seus asseclas são totalmente contra qualquer medida do tipo.
“O governo rejeita inequivocamente esta proposta perante a IMO e não tolerará nenhuma ação que aumente os custos para nossos cidadãos, fornecedores de energia, empresas de transporte e seus clientes ou turistas”, disseram os secretários de Estado dos EUA, Marco Rubio, de Energia, Chris Wright, e de Transportes, Sean Duffy, em uma declaração conjunta.
Os EUA estão considerando retaliações contra os países que apoiarem o plano, disseram autoridades estadunidenses no comunicado. Isso inclui o potencial bloqueio de embarcações com bandeira dessas nações nos portos do país, a imposição de restrições e taxas de visto e a imposição de sanções a autoridades que “patrocinam políticas climáticas impulsionadas por ativistas”.
Trump alega que a proposta da IMO aumentará os custos do transporte marítimo. Mas a verdade escancarada pelo ataque é seu apego aos combustíveis fósseis. O que é comprovado pelo perfil de sua administração.
Um levantamento da Public Citizen mostra que o “agente laranja” colocou dezenas de pessoas com laços com o setor de combustíveis fósseis em seu governo. Isso inclui mais de 40 pessoas que trabalharam em empresas de petróleo, gás ou carvão, informa o Guardian. A análise, feita pelo Revolving Door Project, órgão de fiscalização corporativa, analisou os antecedentes de indicados e nomeados na Casa Branca em oito agências que ditam as políticas energética, ambiental e climática.
Foram identificados 111 funcionários considerados “membros da indústria de combustíveis fósseis e oponentes das energias renováveis”. O número inclui 43 pessoas que foram contratadas diretamente por empresas de carvão, petróleo ou gás. Entre elas, estão altos funcionários como o secretário de energia Chris Wright, ex-CEO da empresa de fracking Liberty Energy.
A lista inclui membros menos conhecidos do governo Trump. O escritório de eficiência e energia renovável do departamento de energia – que recentemente orientou os funcionários a evitarem o uso de termos como “mudança climática” e “emissões” –, por exemplo, é liderado por um ex-executivo da área de fracking. E na Casa Branca, um assessor sênior de políticas ocupou cargos de alto escalão em grandes empresas petrolíferas, entre elas a Shell.
Outros 12 funcionários de Trump têm vínculos com think tanks de direita financiados por combustíveis fósseis.
Enquanto isso, uma extensa lista do Departamento de Energia (DoE), obtida pelo POLITICO, de bilhões de dólares em potenciais cortes de financiamento para projetos de energia limpa — incluindo hidrogênio e centros de captura direta de carbono da atmosfera em estados republicanos — causou angústia entre representantes da indústria e legisladores. A lista inclui os cortes de cerca de US$ 7,6 bilhões anunciados pelo DoE na semana retrasada, com reredirecionamento a projetos localizados principalmente em estados democratas.O recuo dos EUA no hidrogênio verde prejudicará a capacidade do país de competir com a China e outros rivais nessa fonte de combustível, destaca a Bloomberg.



