
O IBAMA emitiu um parecer técnico nesta 3ª feira (14/10) pedindo mais informações à Petrobras sobre os planos de emergência e o atendimento à fauna no processo de licenciamento do bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, onde a petrolífera quer explorar combustíveis fósseis. O parecer técnico aponta para “pendências e incertezas ainda existentes quanto às informações apresentadas nos referidos documentos”, informam Valor e Brasil 247.
Segundo a Folha, o IBAMA questiona o tempo de resposta das embarcações posicionadas para atender às emergências, além de lacunas no Plano de Proteção e Atendimento à Fauna (PPAF) e no esquema de comunicação sobre a possível chegada do petróleo a países vizinhos em caso de vazamento no bloco 59. Para sanar essas questões, o órgão ambiental propôs uma reunião na tarde de 5ª feira (16) com a petrolífera.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse ter sido pega de surpresa pela decisão do IBAMA, de acordo com o SBT. Porém, ela se diz esperançosa com a liberação da licença ainda este mês. “Espero que no dia 16 tenhamos autorização para perfuração”, declarou em um evento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) realizado ontem.
A presidente da estatal repete o discurso falacioso de que o (suposto) petróleo existente na Foz do Amazonas promoverá o desenvolvimento da região. O que não é plausível nem economicamente nem socialmente – como já abordamos neste especial. Sem falar que mais de 60% dos brasileiros é contra a exploração de petróleo na região.
Em entrevista ao Roda Vida, o climatologista Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), reforçou a necessidade de se acabar com a exploração de combustíveis fósseis para se respeitar o limite de 1,5oC de aquecimento sobre os níveis pré-industriais do Acordo de Paris – ou seja, fazer o oposto que a Petrobras quer.
“Se a gente explorar todas as minas de carvão, poços de petróleo e gás que existem hoje, não estou falando de nenhum novo, nós vamos chegar a 2050 ainda emitindo 9 ou 10 bilhões de toneladas de gás carbônico. Será impossível manter a temperatura do planeta. Para manter a temperatura do planeta temos que parar de explorar o que já é explorado em todo o mundo”, alerta.
Nobre lembrou que já vivemos uma realidade de eventos climáticos extremos, que tendem a piorar. Para isso, a prioridade global deve ser parar de explorar novas reservas e investir em energia renovável, destaca o Click Petróleo e Gás.
O alerta foi reforçado pelo economista e professor da Universidade Columbia, José Alexandre Scheinkman, na Pré-COP, informa a Agência Brasil. “As reservas de petróleo nunca caíram. A gente vai queimar muito antes do petróleo acabar”, disparou.
Em tempo: A eliminação dos combustíveis fósseis não está na agenda de debates da COP30, alertam especialistas. O temor é que se repita o que ocorreu na COP passada, em Baku (Azerbaijão): uma agenda sem metas claras e compromissos efetivos, prejudicando os esforços globais contra a crise climática. Para pressionar os países, organizações da sociedade civil espalharam outdoors em Brasília pedindo o fim dos combustíveis fósseis durante a Pré-COP, lembra o Vocativo.



