
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, confirmou presença na COP30, cuja cúpula de líderes começa em 6 de novembro, em Belém. Segundo o porta-voz do premiê, a decisão busca acelerar os esforços do Reino Unido de se colocar como um líder global em ação climática e crescimento verde. E que a neutralidade de carbono é “a oportunidade econômica do século XXI” e poderia “reacender nossos centros industriais” e “criar bons empregos para o futuro”, informam Reuters e CNN.
A presença de Starmer era incerta até então. Aliados recomendaram ao premiê que não fosse a Belém, por causa da pressão da extrema-direita britânica. Por outro lado, Starmer foi acusado de “hipocrisia” pelos democratas liberais, segundo o Independent. Em 2022, ele criticou o então-primeiro-ministro, Rishi Sunak, quando este também sugeriu que não comparecia à COP27, no Egito.
A notícia foi recebida como um sopro de esperança pelas organizações britânicas. “Ainda há tempo para implementar políticas transformadoras que melhorem a vida das pessoas, protejam nossa economia da volatilidade dos mercados de combustíveis fósseis e garantam um planeta habitável. O governo do Reino Unido pode e deve estar na vanguarda disso”, disse Tessa Khan, diretora executiva do grupo de campanha Uplift.
Quem, surpreendentemente, também pode aparecer na conferência do clima, mas não pela boa vontade climática de Starmer, é o negacionista Donald Trump. Segundo o Valor, a reunião presencial entre Lula e o presidente dos Estados Unidos deve acontecer na Malásia, mas o Planalto não descarta um possível encontro na COP30.
Se os líderes têm hospedagem garantida em Belém, as dificuldades para os grupos da sociedade civil continuam. Para Rachitaa Gupta, coordenadora global da Campanha Global para Demandar Justiça Climática (DCJ), uma rede de mais de 200 organizações principalmente do Sul Global, o Brasil foi “uma decepção”.
No Climate Home, ela afirma que este é um momento crucial. Afinal, a conferência acontece em um país sem restrições de manifestações públicas depois de anos. No entanto, organizações e movimentos sociais tiveram que reduzir significativamente a mobilização devido aos preços da acomodação.
Em resposta, um porta-voz da presidência da COP30 disse que o governo está tomando medidas concretas para garantir a participação da sociedade civil. Entre elas está a disponibilização de acomodações de baixo custo em dormitórios universitários, escolas e instalações de moradia temporária, além da negociação de tarifas com desconto com hotéis e provedores de transporte.
Em tempo: Um dos embates da COP30 acontecerá entre a União Europeia e a China. O motivo? Por parte do bloco, a meta climática chinesa, considerada insuficiente para enfrentar a crise do clima. No entanto, o bloco furou duas vezes o prazo de entrega da sua própria NDC, em fevereiro e setembro (leia mais aqui). Além disso, a China se queixa do imposto que a UE cobrará a partir de 2026 pelas emissões de carbono de produtos importados. O Valor detalha a história.



