
A revista Time incluiu o presidente Lula e o embaixador André Corrêa do Lago, que preside a COP30, em sua lista dos 100 líderes climáticos mais influentes de 2025. Há outros três brasileiros no ranking: o DJ Alok, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e a pesquisadora da EMBRAPA, Mariangela Hungria, informam UOL e O Globo.
A Time lembra que, em 2022, pouco após vencer as eleições presidenciais, Lula foi à COP27 no Egito para levar uma mensagem de ânimo aos participantes da conferência: “O Brasil está de volta”. “Após anos de aceleração do desmatamento na Amazônia sob o governo de seu antecessor de direita, Lula almejava transformar o Brasil em um líder climático. A realização da COP30 na Amazônia representa mais um feito notável em seu trabalho na área climática”, diz a revista.
Segundo a publicação, o presidente do Brasil teve sucesso em muitas frentes, como a redução do desmatamento ilegal, em especial na Amazônia. A iniciativa do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) também é elogiada. Contudo, a revista não deixa de mencionar o apoio de Lula à exploração de petróleo na Foz do Amazonas. “Segundo Lula, isso faz parte de uma abordagem pragmática para tornar o trabalho climático sustentável.” Então tá.
Já André Corrêa do Lago “tem a missão de unir os fragmentos e, segundo ele próprio, mostrar ao mundo que o multilateralismo ainda pode trazer resultados”, diz a Time. “A única maneira de resolver questões importantes é por meio da cooperação”, afirma o embaixador. “Mas o contexto internacional é bastante complexo”, completa.
Corrêa do Lago coordenou um mutirão global — palavra para “esforço coletivo”, explica a revista — com encontros de partes interessadas para discutir ações concretas para superar a paralisia geopolítica. E lançou uma plataforma para avaliar os inúmeros compromissos que surgiram em conferências climáticas da ONU, com o objetivo de acelerar as soluções que funcionam.
Poucos esperam um acordo abrangente na COP30, algo que ocorre “uma vez a cada geração”, segundo a Time. Mas a revista enfatiza que Corrêa do Lago vê um caminho a seguir: se a conferência conseguir mobilizar coalizões que impulsionem os setores de aço, energia, florestas e comércio na direção certa, o multilateralismo terá cumprido seu papel.
Mariangela Hungria é destacada pela revista por ter desenvolvido inovações na EMBRAPA que geraram economia ao setor agrícola brasileiro e evitado as emissões de mais de 200 milhões de toneladas de CO2 equivalente; Eduardo Paes, por ter liderado, na última década, esforços climáticos para transformar o Rio de forma sustentável; e Alok, por ter transformado sua música em um instrumento de defesa dos Povos Indígenas e da Amazônia.
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Em tempo 1: Em entrevista à RFi, o presidente da COP30 ressaltou que a revolução das energias renováveis desde a assinatura do Acordo de Paris, há 10 anos, traz razões para otimismo com a Conferência. E reforçou sua expectativa com anúncios expressivos de recursos para adaptação climática. “Acredito que, inclusive, os bancos multilaterais de desenvolvimento vão colocar a adaptação como uma prioridade absoluta”, disse.
Em tempo 2: O Plano Clima é uma das principais entregas nacionais para a COP30, mas corre o risco de chegar incompleto para o evento, após o Ministério da Agricultura (MAPA) - que ajudou a elaborar o documento - se voltar contra ele. O impasse se dá por divergências quanto às diretrizes relacionadas à redução de emissões de CO2 da área do agronegócio. Segundo pessoas envolvidas nas negociações e documentos aos quais a Folha teve acesso, o setor agropecuário não aceitou uma proposta alternativa apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), e o texto ficou sem acordo.



