
Sete dias para o início da COP30 e a União Europeia, um dos maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta, continua dividida em relação à sua meta climática. Uma reunião de embaixadores do bloco na 6ª feira (31/10) não conseguiu chegar a um consenso, o que empurra as negociações para a reunião de ministros amanhã (4/11).
Enquanto a Comissão Europeia propõe reduzir as emissões de GEE em 90% sobre os níveis de 1990 até 2040, alguns países-membros mostram resistência devido aos custos para suas indústrias domésticas. Itália e Polônia alertam para a meta que consideram muito restritiva, enquanto Espanha e Suécia querem cortes mais ambiciosos nas emissões, contam Forbes e Straits Times.
Um ponto central na discussão é o uso de créditos de carbono de nações em desenvolvimento, o que auxiliaria no cumprimento das metas. A França, por exemplo, aposta que os créditos poderiam cobrir 5% dos 90% propostos. A Polônia quer uma fatia maior. E a Alemanha apoia 3% – valor também chancelado por Ursula von der Leyen, presidente da CE, informam Financial Times e Reuters.
Como a Euronews lembra, o Pacto Ecológico Europeu foi aclamado como uma política emblemática do bloco e motor do crescimento sustentável. Agora, a indústria europeia tem chamado as metas de “demasiadamente rigorosas”.
Para Mathieu Mal, oficial de políticas para agricultura e clima da ONG European Environmental Bureau (EEB), o plano da UE de permitir compensações de carbono “prejudica o investimento” na transição verde. “Como um dos maiores poluidores históricos, a UE não pode e não deve terceirizar sua responsabilidade ou permitir flexibilidades apenas porque são mais baratas e convenientes”, afirmou.
Ante a falta de um acordo sobre a meta climática, a União Europeia divulgou uma “declaração de intenções” com uma faixa de redução de emissões entre 66,25% e 72,5%. Ambientalistas consideram decepcionante o desempenho do bloco europeu, que já liderou esse debate.“É compreensível, num momento de incertezas comerciais e geopolíticas, que países evitem metas muito ambiciosas. Mas, embora compreensível, não é justificável. A mudança climática não vai esperar a guerra acabar ou as tarifas serem definidas. Ela já se manifesta em incêndios, secas, enchentes e incertezas económicas”, alerta o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, no Euronews.



