Brasil tem queda histórica nas emissões em 2024, mas não deve cumprir meta climática neste ano

Biocombustível segura aumento no setor de energia; queimadas não entram na conta.
3 de novembro de 2025
emissões brasil seeg
SEEG Brasil/OC

O Brasil registrou uma redução de 17% em suas emissões de gases de efeito estufa em 2024, em comparação a 2023. Foi a segunda maior queda da série histórica, iniciada em 1990, e a maior em 15 anos. O bom desempenho, no entanto, não deve se repetir neste ano. Assim, o Brasil não deverá cumprir sua meta climática para 2025, mostra a 13ª edição do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.

No ano passado, foram emitidas no país 2,14 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e), ante as 2,576 GtCO2e de 2023. Ao descontar as remoções de carbono por florestas, o saldo líquido ficou em 1,48 GtCO2e emitidos, 22% a menos do que no ano anterior.

Já para 2025, a promessa do governo brasileiro junto ao Acordo de Paris era limitar as emissões líquidas a 1,32 GtCO2e. No entanto, o SEEG projeta emissões de 1,44 GtCO2e para a atmosfera neste ano. Ou seja, apesar de ser quase 3% menos que o registrado em 2024, o total ficará em 9% acima da meta, destaca a Folha.

O principal setor emissor, como sói acontecer, foi o de mudança de uso da terra (desmatamento), responsável por 42% do total, ou 906 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente (MtCO2e). Ainda assim, o segmento apresentou uma redução de 32,5% entre 2023 e 2024, informa a InfoAmazonia. O principal responsável pela queda foi o freio no desmate da Amazônia, que chegou ao terceiro menor valor da história entre agosto de 2024 e julho de 2025, como mostrou o Sistema PRODES, do INPE.

Com 29% do total de emissões, a agropecuária emitiu 626 MtCO2e em 2024, 0,7% a menos do que no ano anterior. Já o setor de energia (20% do total) teve alta de 0,8%, emitindo 424 MtCO2e, 0,8% acima das emissões do setor do ano passado. Houve aumento também nas emissões dos segmentos de resíduos (que incluem tratamento de lixo e esgoto), com recorde de 6 MtCO2e e crescimento de 3,6% sobre 2023; e indústrias, com 94 MtCO2e, 2,8% a mais que no ano anterior, lista o Brasil 247.

O Observatório do Clima chama a atenção para o aumento das emissões do setor de energia. Na avaliação do OC, o crescimento foi pouco expressivo graças aos biocombustíveis. O transporte de passageiros teve queda de 3% em suas emissões pelo aumento histórico do consumo energético de álcool em 2024. No caso do transporte de carga, que, juntamente com o de passageiros, é o maior consumidor de combustíveis fósseis do país, o aumento do uso de biodiesel manteve as emissões praticamente estáveis.

“A gente cresce o consumo de energia, mas as renováveis seguram isso sem aumentar a emissão. O uso de combustíveis fósseis estacionou [as emissões] no ano passado”, disse Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).

Porém, há uma ressalva nos dados: as emissões por incêndios florestais não entram no inventário nacional, destaca ((o))eco. Segundo o INPE, 38% da área devastada na Amazônia em 2024 aconteceu por “degradação progressiva”, classificação que engloba as queimadas.

As emissões das queimadas não são contabilizadas por determinação da metodologia do IPCC, usada como base de cálculo das emissões nacionais. Como escreve ((o))eco, “Cientistas do Brasil e de outros países tropicais vêm argumentando que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deveria incluir essas emissões por incêndios florestais nas suas diretrizes para formulação de inventários de gases de efeito estufa.” Como mostram as queimadas e incêndios florestais de 2024, esta alteração metodológica parece necessária.

“Estamos vendo um descolamento entre esses dois processos que normalmente andam juntos, o fogo e o desmatamento”, afirmou Bárbara Zimbres, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), responsável pelos cálculos do SEEG no setor de uso da terra. “É um sinal de que a mudança do clima já pode estar interferindo perigosamente nas florestas”, completou.

No ano passado, as emissões por fogo chegaram a 241 MtCO2e. Ou seja, se fossem contabilizadas, elas duplicariam as emissões líquidas do país por mudança de uso da terra.

O Brasil é o 5º maior emissor de gases de efeito estufa do planeta (sexto, se a União Europeia for considerada como bloco).

O Globo, g1 e Capital Reset também repercutiram os novos dados do SEEG.

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