Engajamento de governos locais será decisivo para sucesso da COP30, diz Ana Toni

Na abertura do Fórum de Líderes Globais de Cidades, a diretora executiva da COP destaca o papel central das cidades para metas de mitigação e adaptação.
3 de novembro de 2025
cop30 ana toni governos locais
COP30 Flickr / Rafael Medelima

Na abertura do Fórum de Líderes Globais de Cidades, que integra a agenda oficial da COP30 e ocorre até 4ª feira (5/11) no Rio de Janeiro, a diretora executiva da conferência do clima, Ana Toni, afirmou que o engajamento de governos locais será decisivo para o sucesso do evento. O fórum ocorre paralelamente à Cúpula Mundial de Prefeitos do C40, grupo que reúne prefeitos de quase 100 cidades para a discussão de iniciativas verdes, e deve produzir um documento com prioridades climáticas que será levado a Belém.

Ana Toni reforçou que a presidência brasileira tem três grandes objetivos na conferência do clima: fortalecer o multilateralismo, acelerar a ação climática e mostrar como a transição ecológica pode gerar benefícios concretos para as populações mais afetadas, lista o Valor. Mas, para isso, será fundamental o engajamento de poderes subnacionais.

 “Para esses três objetivos, só podemos alcançá-los com os prefeitos; não há dúvida sobre isso. É por essa razão que nós colocamos o papel subnacional dos prefeitos e dos governadores estaduais na linha de frente em nossa própria ambição”, afirmou. A diretora da COP30 ainda exaltou prefeitos de cidades dos Estados Unidos, em um cenário em que o país não deve participar com uma delegação expressiva na conferência.

Durante o fórum, o diretor-executivo do C40, Mark Watts, elencou ações prioritárias que devem ocorrer ainda nesta década, como a criação de zonas de ar limpo em cidades que não possuem regulamentação municipal, como o Rio de Janeiro. Ele também destacou a mobilidade urbana e a eletrificação de ônibus. Segundo Watts, 31 cidades da C40 já têm toda a frota elétrica, o que não inclui o Rio, informa a CBN.

Watts também anunciou as metas fixadas para as participantes do C40, incluindo o compromisso de reduzir pela metade as emissões de poluentes e implementar monitores de qualidade do ar. Além disso, representantes de sete cidades do grupo – Phoenix (EUA), Melbourne (Austrália), Amã (Jordânia), Atenas (Grécia), Tshwane (África do Sul), Nanquim (China) e Freetown (Serra Leoa) – listaram compromissos individuais para combater as mudanças climáticas nos próximos 12 anos, destacam O Globo e g1.

O Valor destaca o relatório sobre a redução de emissões em 60 cidades do grupo. Cerca de 11 delas registraram queda de mais de 30% de suas emissões, sendo Salvador uma delas. Estocolmo, na Suécia, e Copenhague, na Dinamarca, são as líderes entre as cidades analisadas no documento, com queda de mais de 40% de emissões desde os anos de pico, em 2012 e 2014, respectivamente.

Apesar destas cidades já terem passado do ponto mais alto do histórico de emissões, para seguir as ambições do Acordo de Paris, elas precisarão cortar emissões mais rapidamente em todos os setores, afirma o relatório.

  • Em tempo: Cinco presidentes de COPs oscilam entre otimismo e pessimismo com relação à conferência do clima no Brasil, informa a Folha. Reuniram-se em um painel na semana passada em Paris os presidentes da COP30, André Corrêa do Lago, e os de quatro edições anteriores: Laurent Fabius, da COP21, em Paris (2015); Salaheddine Mezouar, da COP22, em Marrakech (2016); Michal Kurtyka, da COP24, em Katowice (2018); e Mukhtar Babayev, da COP29, em Baku (2024). O círculo de ex-presidentes foi criado por iniciativa brasileira para intercâmbio de experiências. O azeri Babayev lamentou "não ouvir mais engajamentos ambiciosos". Já o marroquino Mezouar disse ser um "sonhador lúcido" que ainda espera "um despertar coletivo". Foi consenso, contudo, que as COPs precisam ter mais foco em medidas de adaptação aos impactos do aumento da temperatura global.

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