
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado para financiar países em desenvolvimento comprometidos com a preservação florestal, é uma das principais apostas do governo brasileiro para a COP30. A iniciativa será lançada oficialmente em Belém durante a Conferência do Clima. Entre a expectativa existente em 2023, quando o fundo foi apresentado na COP28 em Dubai, e a realidade de 2025, agora num cenário geopolítico complexo, o Planalto ajusta suas projeções sobre o mecanismo. E para baixo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse acreditar que o TFFF poderá arrecadar US$ 10 bilhões até o próximo ano, informa o Valor. É menos da metade da meta inicial projetada para o período pelo governo brasileiro, de US$ 25 bilhões, lembram Bloomberg e Bloomberg Línea.
A lógica financeira do TFFF é a de alavancar recursos privados a partir de aportes públicos. Como explica no Valor a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, para cada US$ 1 investido por entes públicos, espera-se US$ 4 da iniciativa privada. “Estamos trabalhando com fundos de capital soberanos como alavancagem para investimentos privados”, frisou Marina.
Por isso, o valor total projetado para o fundo chega a US$ 125 bilhões. Com US$ 25 bilhões de entes públicos, o aporte de recursos privados chegaria a US$ 100 bilhões. Mas com US$ 10 bilhões, os recursos privados ficam em US$ 40 bilhões. O que fará o TFFF chegar ao final de 2026 com um total de US$ 50 bilhões.
O presidente Lula discutirá a proposta e tentará angariar recursos de países no primeiro dia da Cúpula de Líderes da COP30, que começa hoje (6/11). O Brasil já anunciou US$ 1 bilhão para o TFFF, valor que deve ser aportado também pela Indonésia.
Há a expectativa de anúncios de aportes de nações durante a conferência. Mas uma baixa parece certa: o Reino Unido. O Departamento do Tesouro britânico alertou que o investimento não é algo com que o país possa arcar em um momento em que tenta lidar com sua crescente dívida , segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerava investir pelo menos US$ 1 bilhão no TFFF. O governo do Reino Unido já havia concedido alguns milhões de dólares a organizações que auxiliam o trabalho técnico para a criação do fundo, informa O Globo. Agora a participação está ameaçada.
Em defesa do mecanismo, Lula disse esperar que o TFFF crie um futuro no qual a Floresta Amazônica não dependa de doações de nações ricas e organizações filantrópicas, destaca a AP. “Não quero mais usar a palavra doação. Se alguém nos desse 50 milhões de dólares, seria ótimo, mas não é nada. Precisamos de bilhões para lidar com nossos problemas, os problemas das pessoas que vivem na Amazônia”, reforçou o presidente.



