
Integrar os oceanos às metas climáticas e ao financiamento. É isso que propõe o “Pacote Azul”, lançado pela presidência da COP30 na 2ª feira (10/11). Parte da “Agenda de Ação” da conferência, o documento esmiúça o papel dos oceanos no combate às mudanças climáticas e sugere investimentos de US$ 116 bilhões ao ano.
O “Pacote Azul” tem como objetivos a conservação marinha, a transição energética e o uso sustentável dos recursos oceânicos. Além disso, busca ampliar mecanismos de financiamento para escalar soluções baseadas no oceano, como restauração de manguezais e proteção de recifes de corais, informa o UOL.
Construído por mais de 30 atores com coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o documento sugere metas até 2030. O Globo lista as principais: investimento de pelo menos US$ 72 bilhões para proteger e restaurar 30% dos oceanos; US$ 4 bilhões anuais para sistemas alimentares aquáticos resilientes e sustentáveis; US$ 10 bilhões em financiamento para países em desenvolvimento para energia; e US$ 30 bilhões por ano para o turismo costeiro.
O oceano vem ganhando espaço no debate climático desde a COP27 realizada no Egito. O progresso no reconhecimento da sua importância para o funcionamento do clima é comemorado por especialistas. A Repórter Brasil conta que a COP30 é a primeira a receber uma enviada especial para tratar dos mares em suas plenárias: a bióloga e professora brasileira Marinez Scherer.
“Apesar da importância dos oceanos, a verdade é que, hoje, eles não estão em nenhuma discussão entre governos sobre metas ou financiamento de projetos contra a mudança climática”, critica Ademilson Zamboni, oceanógrafo e diretor-geral no Brasil da Oceana. “A COP30 vai tentar mudar isso.”
Em junho, o Brasil deu um passo importante para trazer o tema para as negociações. Como lembra o WWF Brasil, o país, junto com a França, lançou o Desafio das NDCs Azuis (Blue NDC Challenge) com o intuito de mobilizar países a incluírem o oceano em suas metas climáticas (NDCs).



