
Em contraponto às negociações entre as partes, feitas a portas fechadas, a Cúpula dos Povos iniciou na 4ª feira (12/11) suas atividades na COP30 com uma barqueata. Foram mais de 200 embarcações, com cerca de 5.000 participantes de 60 países. As embarcações navegaram do rio Guamá até a Baía do Guajará, em um ato que exige Justiça Climática e denuncia a inércia de países do Norte Global.
“Iniciamos a Cúpula dos Povos com todas as simbologias que carregam os rios da Amazônia, mas também reforçando a nossa resistência diante das falsas soluções apresentadas pela COP30, que carrega consigo a marca dos projetos de destruição da natureza, da poluição dos rios, do envenenamento das florestas e ameaças aos nossos modos de vida”, explica Ayala Ferreira, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil de Fato.
Como O Globo e Pará Terra Boa destacam, as embarcações da barqueata exibiram várias faixas, com dizeres como “Amazônia Protegida”, “A soja passa, a destruição fica”, “Sem justiça climática e educacional, não há COP que salve o planeta” e “A resposta somos nós” – esta última, um lema do movimento indígena em defesa de seus territórios e dos saberes tradicionais para combater as mudanças do clima.
A Cúpula dos Povos acontece no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) até domingo (16/11), oficialmente, apesar de continuar com atividades na semana que vem. Construído por mais de 1.100 organizações da sociedade civil, o evento terá diálogos abertos ao público, em um ambiente coletivo de convivência, a partir de plenárias. Contará com espaço dedicado à infância e adolescência, feira popular, cozinha solidária, atividades culturais e reivindicações.
A previsão é que a mobilização reúna mais de 30 mil pessoas. Segundo Beatriz Moreira, secretária operativa da Cúpula dos Povos e integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), na 6ª feira (14/11) haverá um percurso até o Tratado dos Povos. E no sábado (15/11), pela manhã, movimentos sociais ocuparão as ruas de Belém na Marcha Unificada, reforçando a mensagem que a Justiça Climática está diretamente ligada à defesa da vida e dos territórios, explica a Agência Brasil. Também na marcha ocorrerá o “Funeral dos combustíveis fósseis”.
Participam da cúpula Povos Originários, Quilombolas, representantes da juventude, trabalhadores urbanos e rurais, organizações feministas, coletivos ambientais, sindicatos e redes internacionais. No encerramento oficial haverá uma audiência pública para a entrega da declaração dos povos à presidência da COP30 e demais autoridades.
A Cúpula dos Povos é guiada por seis eixos temáticos: Justiça Climática e Reparação; Transição Justa, Popular e Inclusiva; Soberania Alimentar; Direitos Territoriais e das Florestas; Internacionalismo e Solidariedade; e Perspectivas Feministas e dos Povos nos Territórios.
A barqueata também foi repercutida por g1, Opera Mundi, Brasil 247, CNN, TVT News, AFP e Folha.
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Em tempo 1: O cacique Raoni Metuktire, uma das maiores autoridades indígenas do país, aos 93 anos, juntou-se a uma embarcação que participava da Barqueata da Cúpula dos Povos. No barco, ele novamente pediu o fim da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, e pediu ao presidente Lula que não permita a implantação da Ferrogrão, ferrovia de quase 1.000 km que vai atravessar áreas da Floresta Amazônica e passar próximo de Terras Indígenas. Segundo Raoni, a soja é o maior vilão das comunidades indígenas. "Cada vez mais acarreta mais e mais desmatamentos. Contamina nossos rios e a nossa terra. As florestas estão vindo abaixo em troca de nada", afirmou. O Globo dá mais detalhes.
Em tempo 2: Falando em participação popular e conferências do clima, para Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional no Brasil, a COP30 precisa perder a linguagem da Faria Lima e adotar a de Direitos Humanos. Jurema, que também é enviada especial da COP30 para periferias e racismo ambiental, critica a quantidade de conversas sobre números na conferência diante da falta de urgência em apontar soluções concretas, destaca a Folha. Já Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, cobra n’O Globo que o tema do apagamento cultural de populações vulneráveis por conta das mudanças climáticas seja prioridade na COP30. Agnès vê na conferência uma das últimas oportunidades para a negociação de medidas que possam garantir a eficácia das metas do Acordo de Paris.



