Líderes e organizações pedem ação contra desinformação climática na COP30

Desinformação sobre a COP30 teve aumento de 267% entre junho e setembro; pela primeira vez, tema entrará na agenda oficial da conferência.
13 de novembro de 2025
desinformação climática na cop30
caad.info

Antes mesmo do início da COP30, a desinformação climática já se espalhava rapidamente, mostrou um estudo elaborado pela Climate Action Against Disinformation (CAAD) e Observatory for Information Integrity (OII). Os dados motivaram a CAAD e a Union of Concerned Scientists (UCS) a lançarem ontem (12/11) a carta aberta “Climate Action Requires Truth: COP30 Must Codify Information Integrity”.

O documento reúne mais de 375 assinaturas, incluindo lideranças globais como Christiana Figueres, Kumi Naidoo e Laurence Tubiana, além de acadêmicos, pesquisadores da linha de frente, representantes da sociedade civil e coalizões globais. E pede que líderes globais adotem uma decisão forte, ambiciosa e obrigatória na COP30 para defender a integridade da informação sobre as mudanças climáticas e implementem medidas concretas contra a desinformação climática.

A análise mostra que houve um aumento de 267% na desinformação relacionada à conferência do clima em Belém entre julho e setembro. Palavras-chave relacionadas ao evento apareceram 14 mil vezes ao lado de termos como “desastre”, “piada”, “catástrofe” e “fracasso”.

As organizações culpam dois atores pela desinformação: grandes empresas de carbono e grandes empresas de tecnologia. O levantamento lembra a COP28, em 2023, na qual empresas de combustíveis fósseis pagaram até US$ 5 milhões para veicular anúncios sobre clima no Facebook. Segundo a CAAD, todas informações falsas. Shell, ExxonMobil, BP e TotalEnergies responderam por 98% dos anúncios, informam Forbes e Euronews.

Já as empresas de tecnologia estão fazendo pouco, e muito lentamente, para remover a desinformação climática de suas plataformas. No início do ano, a AFP investigou como o Grok 3, inteligência artificial da rede social X, do negacionista Elon Musk, analisava um texto de modelos climáticos apresentados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ainda disponível online, o documento rejeita a credibilidade do documento, conta a Carta Capital.

Um mecanismo de desinformação é a criação de gráficos sofisticados para simular gráficos científicos reais, explica o Clean Technica. “Muitas dessas postagens parecem ter saído diretamente de um artigo científico ou de um relatório de uma conferência do clima. Mas elas distorcem ou selecionam dados de forma tendenciosa para lançar dúvidas sobre a ciência estabelecida”, afirma o pesquisador Petter Törnberg.

Apesar disso, o relatório destaca como sinal de esperança o fato que o tema de desinformação está, pela primeira vez, integrado à agenda oficial da COP30. Essa semana, uma coalizão de grupos da sociedade civil, líderes locais, empresas e ativistas estão instando as partes a “reconhecer inequivocamente que a manutenção da integridade da informação sobre mudanças climáticas é um pré-requisito para ações climáticas eficazes, princípios democráticos, saúde pública e Direitos Humanos”, informa o Climate Home.

Reconhecer a importância da integridade da informação quanto aos perigos da desinformação climática é vital para promover medidas anti-greenwashing e coibir conteúdo que dificulta o progresso climático.

Em tempo: Pelo menos 12 países assinaram nesta 4ª feira (12/11) a “Declaração sobre a Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas” na COP30. O documento inédito estabelece compromissos internacionais para enfrentar a desinformação climática e promover informações precisas sobre mudanças climáticas. UN News, Eixos e Diário de Pernambuco falam mais sobre o assunto.

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