
Não eram nem 6 horas da manhã desta 6a feira (14/11), 5º dia da COP30, quando 90 indígenas Munduruku se posicionaram à frente da entrada da Zona Azul para bloquear a passagem. A manifestação pacífica, articulada pelo Movimento Ipereg Ayu, tinha como objetivo cobrar uma reunião emergencial com o presidente Lula.
“Ninguém vai para brincar. Ninguém vai tirar selfie. É o nosso corpo que está na negociação”, disse a liderança indígena Alessandra Munduruku, que também estava à frente da mobilização. Os manifestantes foram recebidos pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e pelas ministras dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e do Meio Ambiente, Marina Silva.
Entre os tópicos reivindicados pelos Munduruku está a revogação do Decreto nº 12.600/2025, implementado em agosto, que estabelece o Plano Nacional de Hidrovias. O decreto institui empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, entre Rondônia e Amazonas; Tocantins, entre Pará e Tocantins; e Tapajós, no Pará, explica a CNN.
“Esse decreto ameaça exterminar nosso modo de vida, porque transforma o rio em estrada de soja. Presidente Lula, o senhor precisa ouvir o nosso Povo antes de decidir sobre nosso futuro”, afirma o movimento, em nota.
Os Munduruku também querem o cancelamento da Ferrogrão (EF-170), projeto ferroviário de quase 1.000 km para escoar soja do Mato Grosso até o Pará e mais rapidez na demarcação de Terras Indígenas. Os indígenas também criticam as negociações na COP30, que, segundo eles, tratam as florestas como meros atrativos de crédito de carbono, e exigem a retirada imediata de invasores das TIs, bem como a nulidade da lei do Marco Temporal, listam Diário do Pará, UOL e Agência Brasil.
“Presidente Lula, estamos aqui na frente da COP porque queremos que o senhor nos escute. Não aceitamos ser sacrificados para o agronegócio”, reforçou Alessandra, que também acusou a falta de serviços básicos nas aldeias de seu Povo.
Por volta das 8h30, Corrêa do Lago e a diretora-executiva da conferência, Ana Toni, foram dialogar com as lideranças para pedir a liberação da entrada principal da Zona Azul – os participantes estavam usando a entrada lateral, muito menor, o que provocou filas extensas. Às 9h30, o ato foi dispersado, e as lideranças foram convidadas para a reunião com Marina Silva e Sonia Guajajara, bem como com representantes da Defensoria Pública do Pará, contam Folha e AM Post.
Os indígenas entregaram um documento com suas reivindicações. A ministra Sonia Guajajara confirmou que os dois ministérios irão dar prosseguimento às demandas que lhes cabem e encaminhar para os devidos órgãos aquilo que lhes compete.
Reuters, Guardian, g1 e Conexão Planeta também trataram da manifestação dos indígenas Munduruku.
Em tempo: Em resposta à manifestação indígena na COP30, o governo federal anunciou que irá avançar na demarcação das Terras Indígenas Sawré Muybu e Sawré Ba’pim, do Povo Munduruku, no Pará. O governo ainda se comprometeu a analisar os impactos de grandes projetos de infraestrutura na bacia do Tapajós, informa o InfoAmazonia.



