Indígenas se reúnem com ministras e presidente da COP30 após manifestação

Em protesto pacífico na entrada da Zona Sul, indígenas Munduruku reivindicaram maior participação na conferência e mais atenção do governo.
14 de novembro de 2025
indígenas ministras presidente cop30 manifestação
Gabriel Corrêa/Rádio Nacional

Não eram nem 6 horas da manhã desta 6a feira (14/11), 5º dia da COP30, quando 90 indígenas Munduruku se posicionaram à frente da entrada da Zona Azul para bloquear a passagem. A manifestação pacífica, articulada pelo Movimento Ipereg Ayu, tinha como objetivo cobrar uma reunião emergencial com o presidente Lula.

“Ninguém vai para brincar. Ninguém vai tirar selfie. É o nosso corpo que está na negociação”, disse a liderança indígena Alessandra Munduruku, que também estava à frente da mobilização. Os manifestantes foram recebidos pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e pelas ministras dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e do Meio Ambiente, Marina Silva.

Entre os tópicos reivindicados pelos Munduruku está a revogação do Decreto nº 12.600/2025, implementado em agosto, que estabelece o Plano Nacional de Hidrovias. O decreto institui empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, entre Rondônia e Amazonas; Tocantins, entre Pará e Tocantins; e Tapajós, no Pará, explica a CNN.

“Esse decreto ameaça exterminar nosso modo de vida, porque transforma o rio em estrada de soja. Presidente Lula, o senhor precisa ouvir o nosso Povo antes de decidir sobre nosso futuro”, afirma o movimento, em nota.

Os Munduruku também querem o cancelamento da Ferrogrão (EF-170), projeto ferroviário de quase 1.000 km para escoar soja do Mato Grosso até o Pará e mais rapidez na demarcação de Terras Indígenas. Os indígenas também criticam as negociações na COP30, que, segundo eles, tratam as florestas como meros atrativos de crédito de carbono, e exigem a retirada imediata de invasores das TIs, bem como a nulidade da lei do Marco Temporal, listam Diário do Pará, UOL e Agência Brasil.

“Presidente Lula, estamos aqui na frente da COP porque queremos que o senhor nos escute. Não aceitamos ser sacrificados para o agronegócio”, reforçou Alessandra, que também acusou a falta de serviços básicos nas aldeias de seu Povo.

Por volta das 8h30, Corrêa do Lago e a diretora-executiva da conferência, Ana Toni, foram dialogar com as lideranças para pedir a liberação da entrada principal da Zona Azul – os participantes estavam usando a entrada lateral, muito menor, o que provocou filas extensas. Às 9h30, o ato foi dispersado, e as lideranças foram convidadas para a reunião com Marina Silva e Sonia Guajajara, bem como com representantes da Defensoria Pública do Pará, contam Folha e AM Post.

Os indígenas entregaram um documento com suas reivindicações. A ministra Sonia Guajajara confirmou que os dois ministérios irão dar prosseguimento às demandas que lhes cabem e encaminhar para os devidos órgãos aquilo que lhes compete.

Reuters, Guardian, g1 e Conexão Planeta também trataram da manifestação dos indígenas Munduruku.

  • Em tempo: Em resposta à manifestação indígena na COP30, o governo federal anunciou que irá avançar na demarcação das Terras Indígenas Sawré Muybu e Sawré Ba’pim, do Povo Munduruku, no Pará. O governo ainda se comprometeu a analisar os impactos de grandes projetos de infraestrutura na bacia do Tapajós, informa o InfoAmazonia.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar