
A entrega da Declaração Final da Cúpula dos Povos para o presidente da COP30, André Corrêa do Lago encerrou oficialmente o evento neste domingo (16/11). Carta aponta os responsáveis pela crise climática, rejeita “falsas soluções de mercado” e propõe um projeto político orientado pelo internacionalismo popular e pelo feminismo.
O texto aponta as empresas transnacionais, como as indústrias de mineração, energia, armas, agronegócio e big techs, como as principais responsáveis pela catástrofe climática. Também exige a demarcação de Terras Indígenas (TIs) e de outros Povos Tradicionais; reforma agrária e fomento à agroecologia; fim do uso de combustíveis fósseis; financiamento público para uma transição justa, com taxação das corporações, agronegócio e dos mais ricos; e fim das guerra, cita a Carta Capital e Estado do Pará Online.
Também foi entregue às autoridades uma carta da “Cúpula das Infâncias”, lida pelas crianças no encerramento. “Os adultos devem fazer a sua parte, porque estamos fazendo a nossa”, diz o texto.
Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a participação da sociedade civil em peso na Cúpula dos Povos fortalece a posição do Brasil nas negociações, contam Brasil 247 e g1. “É uma negociação superdifícil, mas saber que a sociedade civil mundial tem voz em Belém é absolutamente sensacional. Por isso, eu agradeço a vocês esse trabalho que eu registrarei amanhã na abertura da reunião de alto nível que começa amanhã na COP”, afirmou.
O secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, respondeu a um dos tópicos levantados pelos indígenas, sobre a implementação do Plano Nacional de Hidrovias. O decreto institui empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, entre Rondônia e Amazonas; Tocantins, entre Pará e Tocantins; e Tapajós, no Pará.
Boulos afirmou que não haverá implementação de projetos no rio Tapajós sem consulta aos Povos da região. “Criaremos na Secretaria-Geral da Presidência da República uma mesa de diálogo com todos esses Povos para recebê-los em Brasília e construir a solução”, reforçou.
Evento paralelo à COP30, a Cúpula dos Povos contou com a participação de mais de 1,2 mil orgaizações e movimentos populares do Brasil e de mais de 60 países. Durante cinco dias, 70 mil pessoas participaram de debates sobre propostas para combater a crise climática e ambiental do ponto de vista social e dos Povos Originários, das juventudes periféricas, além dos trabalhadores, destaca a Agência Brasil.
A Declaração Final da Cúpula dos Povos também foi destaque no Sul 21 e Brasil de Fato.



