“Negociadores, venham até nós”: cientistas fazem apelo após vazio em pavilhão na COP30

Espaço pioneiro em uma conferência do clima quer levar a ciência para mais perto das negociações.
18 de novembro de 2025
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Nathália Lima/COP30

O primeiro espaço dedicado à ciência em uma conferência do clima da ONU permaneceu praticamente vazio de negociadores durante a primeira semana da COP30. Na 6ª feira (14/11) uma carta dos cientistas fez um apelo: “negociadores, venham até nós. Iremos até vocês, se quiserem, mas precisamos de uma relação muito mais próxima”.

O espaço liderado por cientistas de renome, como Carlos Nobre, membro do IPCC, e de Johan Rockström, diretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research, está preocupado com o enfraquecimento da ciência nos documentos oficiais da conferência. Para ambos, esse movimento proposital integra uma “estratégia mais ampla de atraso e negação” por alguns países, destaca o Valor.

“Tememos que negociadores não entendam o que a ciência diz de mais recente. Há uma aceleração do aquecimento em curso, e o planeta perde sua resiliência e capacidade de amortecer os riscos”, afirmou Rockström.

O Pavilhão da Ciência Planetária tem como objetivo ampliar o escopo de pavilhões com perfis mais científicos, como o IPCC e a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Em entrevista à Folha, Nobre destacou que o pavilhão também busca apontar soluções para os problemas nos quais a Humanidade se meteu com a imensa emissão de gases de efeito estufa.

A carta é unânime na urgência de se criar um roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. “É inaceitável que as emissões projetadas para 2025 sejam 1,1% maiores que 2024”, diz o documento. Assim, os cientistas reforçam que o mundo precisa reduzir pelo menos 5% das emissões ao ano a partir de agora. Os atuais compromissos equivalem a uma redução de 5% em dez anos, informam Exame e Veja.

  • Em tempo: Na semana passada, cerca de 400 entidades lançaram um manifesto contra a desinformação climática na COP30. Segundo o documento, as fake news representam uma "ameaça direta" à saúde pública e à segurança, e são produzidas por interesses econômicos das empresas de combustíveis fósseis."Quando você tem pessoas propagando inverdades, você limita bastante o debate e o apoio da população a medidas para se combater as mudanças climáticas", reforçou Délcio Rodrigues, diretor do Climainfo, ao Jornal da TV Cultura.

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