Produção de alimentos e combustíveis fósseis causa danos ambientais de US$ 5 bi por hora

Segundo o PNUMA, acabar com esses danos é fundamental para a transformação global "antes que o colapso se torne inevitável".
9 de dezembro de 2025
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Bernd Dittrich/Unsplash

A cada hora, a produção insustentável de alimentos e combustíveis fósseis causa danos ambientais de US$ 5 bilhões. São cerca de R$ 27 bilhões a cada 60 minutos — ou 20% do orçamento da cidade de São Paulo para todo o ano de 2026, de R$ 135 bilhões. Acabar com esse dano é uma parte fundamental da transformação global da governança, da economia e das finanças, necessária “antes que o colapso se torne inevitável”, destaca o Guardian.

É o que mostra o relatório”Global Environment Outlook, Seventh Edition: A Future We Choose” (GEO-7). O documento do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) foi elaborado por 287 cientistas multidisciplinares de 82 países e lançado ontem (9/12) durante a 7ª sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que ocorre em Nairóbi, no Quênia.

O relatório constata que as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, a degradação do solo, a desertificação, a poluição e o desperdício têm causado grandes prejuízos ao planeta, às pessoas e às economias, custando trilhões de dólares por ano. Seguir os modelos atuais de desenvolvimento só irá intensificar esses prejuízos, reforça o documento.

O preço de uma abordagem business-as-usual em relação ao clima e ao meio ambiente continua aumentando. O documento constata que as mudanças climáticas podem reduzir o PIB global em 4% até 2050 e em 20% até o final do século, relata a Deutsche Welle.

Para Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA, o estudo reforça que o mundo está em uma encruzilhada. “Continuar no caminho para um futuro devastado pelas mudanças climáticas, pela diminuição da Natureza, pela degradação do solo e pela poluição do ar, ou mudar de direção para garantir um planeta saudável, pessoas saudáveis ​​e economias saudáveis.” Na verdade, continua, “isso não é escolha nenhuma”.

A boa notícia, destacam Folha e Exame, é que investir em uma economia “verde” pode render até US$ 20 trilhões anuais (R$ 108 trilhões) a partir de 2070, salvar milhões de vidas e ainda tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza, indica o relatório. Um valor que pode continuar crescendo e chegar a US$ 100 trilhões por ano (R$ 540 bilhões).

Apesar do alerta e dos caminhos apontados pelo GEO-7, a postura de líderes mundiais sobre o texto mostra que a urgência climática não sensibiliza a todos. Pela primeira vez, os países não chegaram a um acordo sobre um resumo para formuladores de políticas do extenso relatório, que tem cerca de 1.100 páginas, informa a AFP.

Fortes objeções de nações como Arábia Saudita, Irã, Rússia, Turquia e Argentina a referências a combustíveis fósseis, plásticos, redução do consumo de carne e outras questões impediram um acordo para elaborar o tradicional resumo.

Qualquer semelhança com o bloqueio que ocorreu na COP30 com o mapa do caminho pelo fim do petróleo, do gás e do carvão não é mera coincidência.

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