Os planos de Trump para o petróleo da Venezuela – e seus obstáculos

Ceticismo de grandes petroleiras e impasses políticos em Caracas dificultam planos de “domínio” do petróleo venezuelano pelos EUA.
13 de janeiro de 2026
planos de trump petróleo venezuela
Foto oficial da Casa Branca por Shealah Craighead

Nos primeiros dias após o sequestro de Maduro por forças dos EUA, Trump foi audacioso nas celebrações. Deixando de lado qualquer pretensão de “libertar” os venezuelanos do regime chavista, Trump reiterou que a prisão de Maduro e a possível cooperação da nova líder do país, Delcy Rodríguez, garantiriam o controle pelos EUA das maiores reservas de petróleo do planeta.

Como o NY Times assinalou, o controle do petróleo da Venezuela pelos EUA encaixa-se na busca do governo Trump por uma “dominância energética” global baseada na energia fóssil. Com o petróleo venezuelano, os EUA teriam condições de projetar poder pelo mundo sem se preocupar com as consequências econômicas e políticas das oscilações nos preços do petróleo, reduzindo a influência dos petroestados do Oriente Médio, pelo menos na cabeça do agente laranja.

No entanto, o entusiasmo autoelogioso de Trump ficou restrito à Casa Branca. Para atores importantes, como as principais empresas de combustíveis fósseis do planeta, o cenário ainda está marcado por incertezas que, em última análise, inviabilizam os investimentos massivos necessários ao proveito de Washington.

A reunião de Trump com os CEOs do Big Oil da semana passada foi um banho de água fria para suas pretensões. Para muitas dessas grandes empresas, a instabilidade política na Venezuela afasta a possibilidade da indústria fóssil investir as dezenas de bilhões de dólares necessários para reconstruir o setor no país. É muito risco e custo, especialmente se a Casa Branca não assumir a maior parte da bucha (leia-se colocar dinheiro público dos EUA como garantia para as petroleiras, pobrezinhas!).

Por ora, o ceticismo da indústria de combustíveis fósseis  não mudou a retórica de Trump, pelo contrário. Guardian e Reuters repercutiram a irritação do presidente norte-americano com a direção da ExxonMobil, após seu CEO, Darren Woods, afirmar que a Venezuela ainda seria “inadequada para investimentos”. Em conversa com jornalistas, Trump afirmou não ter gostado da fala de Woods e que está estudando deixar a ExxonMobil de fora do projeto. “Não gostei da resposta deles. Estão sendo muito espertinhos”, disse.

Além da falta de entusiasmo do Big Oil, os planos de Trump para a Venezuela esbarram na realidade de Caracas. A despeito do sequestro hollywoodiano de Maduro, o governo chavista permanece com autoridade inquestionável no país. A oposição, que celebrou a prisão do herdeiro político do ex-presidente Hugo Chávez, esperava que as forças dos EUA forçassem uma mudança de regime no país. No entanto, não apenas Trump manteve o chavismo no poder, mas também desmoralizou a principal liderança opositora, María Corina Machado, menosprezada publicamente pelo presidente norte-americano.

O tabuleiro geopolítico também é um obstáculo. Como a Reuters noticiou, a Rússia reafirmou que não pretende abrir mão de seus ativos petrolíferos na Venezuela, hoje controlados pela estatal Roszarubezhneft. “[Todos os ativos] são propriedade do Estado russo”, afirmou a empresa em comunicado. A Rússia é uma das principais aliadas do governo chavista na Venezuela, com parcerias estratégicas com a estatal PDVSA.

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