
Dez. Esse foi o número de dias de janeiro necessário para que os super-ricos, que correspondem a 1% da Humanidade, esgotassem sua cota de carbono para todo o ano, e o orçamento de carbono dos ultrarricos – a parcela 0,1% mais rica do mundo – estourou uma semana antes, em 3 de janeiro, relata ((o))eco usando dados de nova análise da OXFAM International.
Para chegar à “cota justa”, os pesquisadores consideraram o orçamento anual global de carbono para o ano e o dividiram pela população do planeta, respeitando o nível de emissões compatível com o limite de 1,5°C do Acordo de Paris. Isso resultou em 2,1 toneladas de CO₂e por pessoa por ano. Como destaca a VEJA, o 1% mais rico emite, em média, 75,1 toneladas de CO₂ por pessoa ao ano – 36 vezes o limite per capita.
O relatório aponta que a desigualdade amplia os impactos sofridos pelas populações mais vulneráveis. O consumo excessivo de carbono pelas elites impõe perdas econômicas de US$ 44 trilhões (R$ 237 trilhões) em países de baixa e média-baixa renda, entre 1990 e 2050. A OXFAM também estima que as emissões anuais do 1% mais rico podem causar cerca de 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim do século, destacam Guardian e UOL.
Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), vinculado à USP, analisou o impacto dos super-ricos no território brasileiro. Segundo os pesquisadores, os 10% mais ricos foram responsáveis por 72% das emissões de gases de efeito estufa associadas à aviação entre 2017 e 2018.
Das 233 mil toneladas de CO2e emitidas no período, 168 mil foram lançadas pelos vôos dos mais ricos. O trabalho usou dados do IBGE e coeficientes de emissão para calcular a pegada de carbono do setor, detalha a Folha.
O economista Pedro Marques, codiretor do Made e um dos autores da pesquisa, defende a taxação da aviação de luxo – jatinhos, passagens de primeira classe e executiva – para desincentivar o consumo e arrecadar recursos para políticas climáticas. A presidência da COP30 também propôs taxar jatinhos para alcançar o montante de US$ 1,3 trilhão (R$ 7 trilhões) ao ano para o financiamento climático.
“Os governos têm um caminho muito claro e simples para reduzir drasticamente as emissões de carbono e combater a desigualdade: mirar nos poluidores mais ricos”, afirmou Nafkote Dabi, líder de Política Climática da OXFAM.
Além das influências políticas, como a presença massiva de lobistas na COP30, as elites também investem em setores intensivos em combustíveis fósseis. Esse fluxo de capital contribuiu para aprisionar a economia global em um modelo incompatível com a transição energética, afirma a OXFAM. Por isso, a organização defende uma transformação estrutural do sistema econômico, com a superação do modelo neoliberal dominante e a construção de uma economia mais sustentável, que foque na redução das desigualdades.
Um Só Planeta, Correio Braziliense e Euronews também falaram sobre o relatório da OXFAM.
Em tempo: Em 2025, incêndios florestais, enchentes, secas e tempestades causaram 17,2 mil mortes e US$ 224 bilhões (R$ 1,2 trilhões) em perdas econômicas. Os números não deixam dúvida sobre a necessidade de adaptação aos riscos climáticos estruturais, mostra novo relatório da seguradora Munich Re. Os eventos climáticos responderam por 97% das perdas seguradas no ano passado, superando a marca de US$ 100 bilhões (R$ 537 bilhões). Um Só Planeta dá mais detalhes.



