
O Sudeste inicia 2026 em situação hídrica crítica, e o quadro não deve se normalizar ao longo dos meses. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), mesmo que haja chuvas acima da média até março, quando termina a estação chuvosa, não haverá recuperação satisfatória dos reservatórios.
Os níveis dos reservatórios no estado de São Paulo estão piores do que em qualquer momento desde a crise de 2014-2015, informa o Globo. A previsão é que mesmo que chova acima da média, e não há indícios para este cenário, a recuperação dos reservatórios e lençóis freáticos ficaria abaixo de 60%.
No último sábado (10/01), o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas, registrou 19,71% de sua capacidade. Antônio Giansanti, professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), afirma à Gazeta de S.Paulo que o sistema registrou um nível de água decrescente nos últimos três anos.
“A gente caminha para um ano difícil em termos de abastecimento e contas de energia. Este é um ano de planejamento hídrico estratégico para que não falte água, porque o clima não deverá ajudar”, alerta o coordenador de operação do CEMADEN, o meteorologista Marcelo Seluchi.
O trimestre de outubro a dezembro de 2025 foi um dos mais secos da última década. Em boa parte do Sudeste houve mais de 50 dias sem chuva, chegando a 80 dias em áreas do interior e do norte da região, o que gerou atrasos na recarga.
Desta vez, a culpa não é do calor, pois as temperaturas máximas médias ficaram próximas ou abaixo da média. A seca é atribuída à falta e à irregularidade da chuva, decorrentes da redução da umidade devida à mudança no uso do solo. Ou seja, ao desmatamento.
“Nos últimos 60 anos tem chovido menos no Brasil e a estação chuvosa está mais curta. Mudança climática não é só decorrente de emissões, mas também da alteração da cobertura vegetal. E é isso que está ocorrendo”, afirma Seluchi.
Em meio à onda de calor que cobriu parte do estado, o consumo de água chegou a aumentar 60% no estado, destaca o Times Brasil. O calor extremo gera impactos econômicos, pressiona a demanda por energia elétrica e afeta a produtividade em setores como a indústria, a logística e as atividades externas. Além disso, o estresse térmico pode reduzir o ritmo dos trabalhadores e comprometer sua saúde.
Vale lembrar de outro agravante: o aumento de data centers próximos à região metropolitana da capital. Como a Agência Pública mostra, quase um terço dos 195 data centers está no estado de São Paulo, sem regras de licenciamento ambiental nem transparência quanto ao uso de recursos naturais.
Vinhedo é um exemplo: a 75km da capital, a cidade declarou emergência hídrica em maio de 2025 e passou a implementar horários de racionamento. Lá, dois data centers da empresa Ascenty propagandeiam-se como o “maior campus de data centers da América Latina”, somando 61 MW de demanda.
No momento, o sistema Cantareira opera na Faixa 4 (crítica), com retirada de 23 m³/s de água. No próximo dia 31/01, haverá uma avaliação mensal conjunta com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que poderá ser elevada ao estágio 5, com limitação da vazão a 15 m³/s, explica a CNN Brasil.
Terra, Poder 360 e Metrópoles também falaram sobre a crise hídrica do Sudeste.



