Chuvas abaixo da média deixam setor elétrico em alerta

Expectativa de chuvas abaixo da média nesta temporada já preocupa o governo federal, que estuda mudança na bandeira tarifária em fevereiro.
15 de janeiro de 2026
chuvas abaixo da média setor elétrico em alerta
Rovena Rosa/Agência Brasil

O setor elétrico entrou em alerta no início do ano com as chuvas abaixo da média histórica neste verão. A perspectiva de que esse cenário se mantenha até o final da temporada chuvosa já está motivando discussões dentro do governo federal sobre medidas para garantir a geração de energia elétrica ao longo de 2026.

A meteorologista Marcely Sondermann, do Climatempo, observou à Agência iNFRA que as chuvas estão abaixo da média em grande parte do país, inclusive onde estão os principais reservatórios hidrelétricos nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Para o restante da temporada, não se espera que o quadro se altere significativamente. No longo prazo, a expectativa de mais um El Niño no fim do inverno acende mais preocupações.

“Até agora, as chuvas não têm sido suficientes para uma recuperação consistente dos principais reservatórios”, assinalou. “Além disso, com os oceanos mais aquecidos, há um maior favorecimento à formação de bloqueios atmosféricos e à interrupção da chuva ao longo do período úmido de 2026/2027. Esse conjunto de fatores reforça a necessidade de monitoramento contínuo das condições climáticas e hidrológicas.”

A situação dos reservatórios hidrelétricos foi o principal tema da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) realizada na última 4a feira (14/1). Uma das recomendações do grupo foi a elaboração de um plano de ação para tratar das reduções de vazão mínima nas hidrelétricas da bacia do rio Paraná. O CMSE sinalizou que, dependendo da evolução do quadro em fevereiro, poderá realizar novas reduções na vazão mínima a partir de março.

“Foram verificados armazenamentos equivalentes de 42%, 71%, 46% e 55% nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente, no mês passado. O armazenamento no Sistema Integrado Nacional foi de aproximadamente 45%”, informou o Ministério de Minas e Energia em nota.

Segundo a eixos, outra medida em análise pelo governo federal é a mudança na bandeira tarifária. Em janeiro, está vigente a bandeira verde, sem cobrança adicional, mas a continuidade deste cenário pode motivar o acionamento da bandeira amarela ou vermelha, mais caras, já em fevereiro, em plena temporada chuvosa.

Broadcast, Canal Energia, iNFRA e Megawhat, entre outros, repercutiram a notícia.

  • Em tempo: A falta de chuvas não preocupa apenas o setor elétrico. O Sistema Cantareira, que abastece boa parte da região metropolitana de São Paulo (SP), completou nesta 5ª feira (15/1) uma semana com o volume útil reservado abaixo de 20%. Na manhã de ontem, os reservatórios do Cantareira indicavam 19,4% do volume útil reservado, menos da metade do aferido no mesmo dia do ano passado (50,3%). Além das chuvas mais escassas, as altas temperaturas do último mês também contribuíram para intensificar as perdas, com aumento do consumo de água. O Estadão deu mais detalhes.

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