
Um levantamento publicado pela consultoria Rhodium Group nesta semana indicou que as emissões de gases de efeito estufa dos Estados Unidos aumentaram 2,4% em 2025, revertendo dois anos de quedas sucessivas. A análise considera apenas as emissões associadas à geração de energia elétrica.
Segundo a análise, os EUA emitiram 5,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) em 2025, o que representa 139 milhões de toneladas (MtCO2e) a mais do que em 2024. Em grande parte, a alta está relacionada à maior queima de carvão para geração termelétrica. Como assinalado pela Associated Press, o aumento dos preços do gás natural contribuiu para um crescimento de 13% na geração de energia a carvão, que havia diminuído em quase 2/3 desde o pico em 2007.
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, o desmonte das políticas climáticas norte-americanas por Trump ainda não se reflete nesses números. Para eles, a alta está associada à retomada da geração termelétrica no país, motivada pelo aumento da demanda por energia elétrica no último ano, especialmente no inverno.
“Não prevemos um grande impacto nas emissões em 2025 devido às ações do governo Trump, embora obviamente esperemos que eles tenham um impacto crescente no futuro”, afirmou Michael Gaffney, analista de pesquisa do Rhodium Group, ao NY Times. “O principal fator foi, em parte, o clima e, em parte, um setor de energia em expansão que está queimando mais carvão.”
Segundo a BBC, um fator contribuinte para o aumento da demanda por eletricidade, que vinha estável nos EUA na última década, é o crescimento dos data centers espalhados pelo país. A expansão dessas instalações e das operações de mineração de criptomoedas em estados como Texas e Ohio exigiu energia adicional. Em boa parte, essa demanda adicional foi atendida pelo carvão.
ABC News e Washington Post, entre outros, também abordaram a alta das emissões de carbono nos EUA.
Em tempo: Por décadas, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA usou estimativas de custos de crises de asma e de mortes prematuras evitadas para justificar restrições à poluição industrial. No entanto, o governo Trump alegou que essas estimativas seriam “duvidosas” e decidiu que, a partir de agora, apenas os custos para as empresas serão considerados na definição de normas antipoluição. A medida foi criticada por especialistas. “Se você considerar apenas os custos para a indústria e ignorar os benefícios, não poderá justificar qualquer regulamentação que proteja a saúde pública”, disse Richard Revesz, da Universidade de Nova York, ao NY Times. Associated Press, Bloomberg e Washington Post também repercutiram a notícia.



