
Com tantos ataques e ações absurdas, parece que já há anos vendo Trump destruir a democracia, o multilateralismo, o clima e o meio ambiente. Mas o 2º mandato presidencial do “agente laranja” completou apenas um ano na 3ª feira (20/1) – assim como completou um ano a saída dos EUA do Acordo de Paris, um dos primeiros atos de Trump ao tomar posse em 2025.
Trump 2.0 consegue ser muito pior do que seu governo anterior, nefasto e assassino. Em seu 1º mandato, os EUA foram o país com o maior número de mortes por COVID-19. Agora, lista o Observatório do Clima, Trump e o movimento fascista MAGA aceleraram a derrocada da democracia nos EUA, com direito a milícias, campos de concentração, execuções extrajudiciais, perseguição a adversários políticos e mordaça à imprensa (disfarçada de lawfare).
A destruição, porém, não se restringe ao ambiente interno e ameaça diretamente nossa sobrevivência. O “agente laranja” produziu o maior retrocesso no esforço global contra as mudanças climáticas desde 1992, quando a Convenção do Clima da ONU foi assinada, lembra o OC.
Além de efetivamente eliminar a governança climática federal e adotar uma série de medidas para aumentar as emissões dos EUA – como o estímulo à indústria de combustíveis fósseis e o fim de subsídios a energias renováveis -, Trump fez bullying com países que tentavam cortar emissões, inviabilizou um acordo sobre emissões de carbono da navegação e a chance de sucesso da COP30 – e das demais conferências do clima.
No início deste ano, o “agente laranja” abandonou a Convenção do Clima (UNFCCC) e o IPCC, movimentos mais irreversíveis do que a saída do Acordo de Paris. Além de ter tomado para si as maiores reservas de petróleo do mundo, na Venezuela. Sem falar na iminência de tomar a Groenlândia da Dinamarca, de olho no petróleo e nas terras raras da maior ilha do mundo.
Com sua cruzada anticlima e anti-meio ambiente – e com o imenso poder da maior economia do mundo nas mãos -, Trump facilitou a vida de quem já não via as mudanças climáticas como um problema. E ainda obrigou o recuo de quem considerava a gravidade da crise climática – ainda que por retórica.
Um exemplo disso é o Relatório de Riscos Globais de 2026, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, cujo encontro anual de ricaços, em Davos, ocorre até 6ª feira (23/1). O documento analisa os riscos que são tidos como os mais graves agora, em dois e em dez anos, explicam no Neomondo Roberto Katz e Priscila Pacheco, do OC.
“Nos cenários mais urgentes – os de 2026 e 2028 – as mudanças do clima não aparecem como problema principal, e isso em um momento em que a temperatura global chega perto de 1,5oC acima dos níveis pré-industriais. As pessoas estão mais preocupadas com a escalada de conflitos geoeconômicos e militares. É o fator Trump – mesmo que Trump não seja mencionado no relatório”, destacam.
Diante do ataque à agenda climática, o “agente laranja” foi constantemente qualificado de “negacionista” pela imprensa nos últimos 365 dias. Mas, para Claudio Angelo, coordenador de Políticas Internacionais do Observatório do Clima, Trump pode ser qualquer coisa, menos isso.
“Negacionismo climático é a ideologia que nega a existência do aquecimento global, a influência humana sobre ele ou a gravidade de seus impactos, em geral para isentar determinados setores econômicos da responsabilidade de atacar as causas do problema ou pagar os prejuízos ou a adaptação. Donald J. Trump não pertence a nenhuma dessas gangues. Ao mesmo tempo em que chama a mudança climática de “con job”, ou “cambalacho”, e prega contra energia eólica, Trump faz movimentos de quem sabe muito bem que a Terra está esquentando. Dois deles aconteceram neste ano: o sequestro da Venezuela e a nova ameaça de anexação da Groenlândia”, explica na Central da COP.
E o pior é que ainda faltam três anos para este pesadelo acabar.
Earth.org, Chatham House, EE News, Le Monde, Al Jazeera e Axios também fizeram um balanço das (anti)ações climáticas e ambientais de Trump.



