Família de Daniel Vorcaro, do Master, é dona de projeto irregular de crédito de carbono na Amazônia

Os Vorcaro inflaram artificialmente ativos bilionários em supostos “créditos de estoque de carbono” gerados a partir de terras públicas da União.
20 de janeiro de 2026
banco máster créditos de carbono
Gráfico FSP

A falcatrua do Banco Master, liquidado pelo Banco Central, também envolve unidades de estoque de carbono (UEC). O pai e a irmã de Daniel Vorcaro, dono do Master, inflaram artificialmente ativos bilionários em supostas “unidades de estoque de carbono” geradas a partir de terras públicas da União na Amazônia, que não podem ser utilizadas para fins econômicos privados.

Documentos obtidos pela Folha indicam que os Vorcaro estão envolvidos desde a origem no plano de explorar essas UECs, por meio da alavancagem financeira realizada com fundos da administradora Reag – também liquidada pelo BC e investigada por atuar no esquema de fraudes financeiras bilionárias do Master e por ligações com o PCC, vindas à luz durante a Operação Carbono Oculto.

A Folha mostra que as empresas Golden Green e Global Carbon, controladas por fundos geridos pela Reag, atingiram uma valorização conjunta de R$ 45,5 bilhões com base em UECs associados à Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM). A área de 143.900 hectares pertence à União, destinados a um projeto federal de assentamento rural. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) informou que já adotou medidas administrativas e judiciais no caso.

O elo entre o projeto irregular e a família Vorcaro se dá por meio da empresa Alliance Participações, controlada por Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã do presidente do Master. Com contrato assinado em 2023, a Alliance passou a deter 80% das unidades de carbono associadas à fazenda, informam UOL e Diário do Centro do Mundo.

Documentos mostram que auditorias e pareceres financeiros passaram a precificar essas unidades de estoque como se fossem ativos consolidados. Não mencionavam o litígio fundiário nem a impossibilidade de uso da terra, detalha o Um só Planeta.

Com isso, mesmo sem vender uma única UEC, os ativos da Golden Green passaram de R$ 11,1 bilhões em 2022 para R$ 14,6 bilhões em 2024. Já a Global Carbon tinha capital social de R$ 100 em 2020 e alcançou R$ 31 bilhões em 2024.

Por meio de seus advogados, Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel negaram envolvimento em operações ilícitas ou irregulares. Já Daniel Vorcaro disse que “o Banco Master e seu controlador não participam da gestão, da administração, da precificação ou da modelagem técnica dos fundos mencionados”, ressalta o Brasil 247.

A Reag já tinha usado a mesma “fazenda”para gerar tokens de carbono e tentar negociá-los em mercados secundários em 2024. Na época, segundo o g1, o pessoal chegou a vender tokens de carbono, mas o processo parou quando o INCRA descobriu a grilagem.

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