
Há 16 anos, um terremoto seguido de um tsunami devastou a região de Biobío, no sul do Chile. Mas, para seus habitantes, o que estão vivenciando com os incêndios florestais que destruíram diversas cidades chilenas desde o fim de semana é muito pior, destaca O Globo.
“Em 2010, a situação já era ruim. Perdemos muita coisa; o mar subiu e levou casas. Sofremos naquela época também, mas isso foi pior. Três vezes pior”, conta Daniel Muñoz, de 69 anos, em um bairro de Lirquén, uma pequena cidade portuária que se tornou o epicentro dos incêndios, a 500 km de Santiago.
Moradores da região clamavam por ajuda entre as ruínas após as chamas que deixaram pelo menos 20 mortos, informa a Exame. O governo chileno diz que, em alguns casos, os incêndios podem ter sido intencionais, segundo O Globo.
As altas temperaturas cederam e proporcionaram algum alívio aos bombeiros que lutam para conter as chamas. A trégua permitiu que os afetados voltassem a limpar os escombros em que suas casas se transformaram após serem destruídas pelo fogo que queima desde o fim de semana, de acordo com o UOL.
Os atingidos também clamam por ajuda governamental. Sob a densa fumaça que cobre a região do Biobío, Manuel Hormazábal, de 64 anos, cobra o restabelecimento da energia elétrica. “Nós aqui estamos no escuro; faltam lanternas, o básico, banheiros químicos, porque temos que ir ao bosque para fazer nossas necessidades”, disse, enquanto agitava as mãos sujas de cinzas.
Além de Biobío, os incêndios também atingiram as regiões vizinhas de Ñuble e de Araucanía. Vilas inteiras ficaram destruídas. Há mais de sete mil desabrigados, e este número pode ainda crescer.
Os incêndios florestais que castigam o sul do Chile também atingiram recentemente a Patagônia argentina, onde as chamas se espalharam pelas províncias de Chubut, Río Negro, Neuquén e Santa Cruz. E por mais que possam ter sido intencionais, os incêndios evidenciam como as mudanças climáticas estão afetando essa parte do planeta, destaca ((o))eco.
Em entrevista ao El País, o pesquisador Thomas Kitzberger, do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (CONICET) e especialista em ecologia das florestas andino-patagônicas, defendeu a transformação estrutural do regime de incêndios na. Secas mais prolongadas, redução da cobertura de neve no inverno, temperaturas mais elevadas e maior frequência de tempestades criam condições ideais para incêndios de grande escala e de difícil controle.



