
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou na 3ª feira (20/1) o investimento de R$ 6 bilhões na conversão da Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR) em uma biorrefinaria. Instalada em Rio Grande (RS), a unidade passará por uma transformação estrutural a partir do 2º semestre com o objetivo de produzir insumos e combustíveis 100% renováveis.
A RPR foi inaugurada em 1937 e é uma das unidades mais antigas de refino do país, lembra o Poder360. Com capacidade instalada de aproximadamente 17 mil barris por dia (bpd), a planta produz derivados como gasolina, diesel, gás de botijão (GLP) e nafta petroquímica. A unidade é controlada por um consórcio que reúne Petrobras, Braskem e Ultrapar.
Desde o início do ano passado, as empresas vêm realizando testes na unidade com o coprocessamento de biomassa com carga mineral, informa O Globo. Em 2023, a RPR produziu combustíveis e insumos para a indústria a partir de 100% de óleo vegetal. Além disso, a planta vem realizando testes bem-sucedidos desde o início de 2025, nos quais utilizou o coprocessamento de biomassa com carga mineral, explica a Times Brasil.
É verdade que a conversão da RPR em biorrefinaria é uma “gota no oceano” do refino fóssil da Petrobras. A petrolífera dispõe hoje de capacidade de processamento de petróleo bruto de 1,85 milhão de bpd — ou seja, os 17 mil barris da unidade gaúcha correspondem a menos de 1% da capacidade total da empresa.
No entanto, o investimento em biorrefino e em novas rotas de combustíveis de baixo carbono é uma das recomendações do posicionamento “A Petrobras de que Precisamos”, lançado pelo Observatório do Clima (OC) em setembro do ano passado. O documento apresenta diversas sugestões para que a companhia promova uma transição energética justa, “virando a chave” de uma petrolífera para uma empresa de energia.
Jornal do Comércio, GZH, CNN Brasil e Brasil 247 também noticiaram o investimento da Petrobras no biorrefino.
-
Em tempo 1: A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, a aquisição pela Petrobras de 49,9% de participação nas fazendas fotovoltaicas da Lightsource bp, informa a eixos. O acordo foi anunciado em dezembro, e a operação foi estruturada por meio de uma joint venture, que terá gestão compartilhada entre Petrobras (49,9%) e Lightsource bp (50,1%).
Em tempo 2: O economista e professor Marcelo Colomer, pesquisador do projeto Descarbonização e Política Industrial (DIP), do Instituto de Economia da UFRJ, revela a pressão para que a Petrobras mantenha o foco em petróleo e gás por causa de royalties e impostos que, aliás, não se convertem em desenvolvimento social e econômico, mostra A Crítica. Isso, obviamente, atrasa ainda mais a transição energética tanto da empresa quanto do país. “A Petrobras aumenta a produção de petróleo e investe pontualmente em energias renováveis, mas não reduz a produção de combustíveis fósseis. Há uma pressão dos estados para que a Petrobras mantenha o foco em óleo e gás por causa da arrecadação de royalties e impostos. No Amazonas, isso é crítico porque falamos de um único campo (Urucu), administrado diretamente pela empresa. A trajetória de qualquer campo é declinante e, sem novas descobertas, a produção de gás e a arrecadação de royalties vão diminuir. Por isso essa permanente pressão para aumentar a exploração”, reforça Colomer.



