
O governo Trump avança em seu esforço para incentivar a exploração mineral do fundo do mar pelos Estados Unidos. Um novo regulamento publicado na 4ª feira (21/1) acelera a concessão de licenças para empresas que buscam minerais críticos em águas internacionais.
O documento de 113 páginas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, sigla em Inglês) transforma um processo de licenciamento de duas etapas – uma para exploração e outra para recuperação comercial – em uma única análise, reduzindo assim a supervisão ambiental, informa a France24. O órgão alega ter autoridade, com base na Lei de Recursos Minerais Duros do Leito Marinho de 1980, para regulamentar a extração de minerais em áreas fora da jurisdição dos EUA.
A medida do “agente laranja” provavelmente enfrentará questionamentos não somente ambientais – esses são certos -, mas também legais, destaca a Reuters. Afinal, a iniciativa pode ajudar a desencadear uma corrida liderada pelos EUA por recursos no fundo do mar, antes que padrões globais que abranjam técnicas de mineração relativamente novas venham a vigorar, explica a Folha.
O solo marinho, em profundidades de 800 a 6.000 metros, guarda reservas de cobre, cobalto, níquel, zinco, prata, ouro e terras raras. Esses elementos são críticos para diversas tecnologias, desde painéis solares até baterias de carros elétricos. Mas principalmente para a indústria armamentista. E aqui está o real interesse de Trump.
A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, criada pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, não ratificada pelos EUA, vem considerando há anos padrões para a mineração em águas internacionais. No entanto, esses padrões ainda não foram formalizados devido a divergências sobre os níveis aceitáveis de poeira, ruído e outros fatores decorrentes dessa prática.
Atualmente, qualquer país pode autorizar a mineração em águas profundas em suas próprias águas territoriais, até aproximadamente 200 milhas náuticas da costa. E as empresas já estão se mobilizando para explorar as águas dos EUA. Só que Trump não esconde sua sanha de avançar para águas internacionais.
Assim como escancara que sua obsessão por tomar a Groenlândia da Dinamarca também envolve a exploração de terras raras. Após seu discurso distópico anteontem no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o “agente laranja” disse ter chegado a um acordo com a OTAN sobre a ilha, informam Bloomberg, CNN e InfoMoney, que “duraria para sempre”.
Para o governo Trump, os minerais críticos processados e seus produtos derivados são indispensáveis para quase todos os setores, incluindo os programas de defesa nacional e a infraestrutura crítica. E que os EUA precisam criar cadeias de abastecimento diversificadas e mais resilientes para contrabalançar a influência de “práticas não comerciais” por atores estrangeiros, segundo Valor e Um só planeta.
Nem que, para isso, seja necessário sobretaxar quem se opõe aos desejos imperialistas do “agente laranja” e até mesmo invadir territórios. Como está acontecendo agora com a Groenlândia e aconteceu no início do ano com a Venezuela, mas por outro motivo: “roubar” reservas de petróleo.
Bloomberg e POLITICO também noticiaram as novas regras dos EUA para mineração no fundo do mar em águas internacionais.



