
A conversão de vegetação nativa em áreas para agropecuária causou uma perda de 1,4 bilhão de toneladas de carbono na camada superficial do solo de 30 cm de espessura. Isso equivale a uma emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e) – cerca de 3,5 vezes as emissões líquidas do Brasil em 2024, que totalizaram 1,48 bilhão de tCO2e, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.
O dado integra um estudo publicado na revista Nature Communications e desenvolvido por cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) e do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) da USP, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da EMBRAPA. É a primeira vez em que se calcula o estoque de carbono em todos os biomas existentes no Brasil antes de intervenções antrópicas e se mensura o déficit causado pela conversão de vegetação nativa em lavouras e pastagens.
A pesquisa avaliou mais de 370 estudos publicados anteriormente. Além do déficit, o levantamento indica áreas com maior potencial de recarbonização do solo, assim como pode subsidiar políticas públicas e ações privadas voltadas à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, informam Estadão e AGROLINK.
O estudo prova que a forma como se produz impacta diretamente a retenção de carbono no solo. A conversão de mata nativa para monoculturas tradicionais causa uma perda média de 22% de matéria orgânica. No entanto, quando são adotados sistemas integrados (lavoura-pecuária), essa perda cai para 8,6%, explica o Gigante 163.
A técnica de plantio direto também se mostrou muito mais eficiente que o cultivo convencional, mostra a pesquisa. Enquanto o método tradicional (que revolve o solo antes do plantio e o deixa exposto entre as safras) perde 21,4% de carbono, o plantio direto (no qual o solo está sempre coberto e o revolvimento é mínimo) limita essa redução a 11,4%.
A análise dos dados confirmou que o clima é um fator importante no balanço de perdas e armazenamento de carbono orgânico no solo. Locais mais frios e úmidos, como os biomas Pampa e Mata Atlântica, apresentaram maiores estoques de carbono em comparação aos biomas de climas tropicais, como Cerrado, Pantanal, Caatinga e Amazônia. Da mesma forma, alterações de uso da terra, com introdução de práticas agropecuárias, causaram maior perda de carbono nos locais com maior estoque inicial.



