Empresário é condenado por liderar garimpo na TI Yanomami

Bolsonarista e defensor da atividade garimpeira em Roraima, Rodrigo Martins de Mello coordenava uma estrutura organizada e permanente na região.
3 de fevereiro de 2026
PF indicia Rodrigo Cataratas
Reprodução Redes Sociais

A Justiça Federal de Roraima acatou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e condenou o empresário Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, a prisão e pagamento de multa por liderar um grupo criminoso que promove o garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Yanomami. Ele se apresenta publicamente como garimpeiro e defende a atividade ilegal.

Segundo o MPF, Cataratas coordenava uma estrutura organizada e permanente para sustentar a exploração ilegal de ouro e cassiterita na TI. O grupo utilizava empresas, contratos e pelo menos 23 aeronaves para transportar pessoas, combustível, equipamentos e o minério extraído ilegalmente, detalha ((o))eco. A Justiça também destaca que a atuação do empresário buscava conferir aparência de legalidade às operações, apesar da proibição da mineração em Terras Indígenas. Por isso, Cataratas foi condenado a 22 anos e 7 meses de prisão em regime fechado, além do pagamento de quase R$ 32 milhões por danos ao Povo Yanomami, informam g1 e Folha.

Além do empresário, foram condenados o filho dele, Celso Rodrigo de Mello, que atuava como “braço direito” do pai, a 10 anos e 5 meses de prisão, inicialmente em regime fechado; a irmã, Brunna Martins de Mello, a 10 anos e 2 meses de prisão, também inicialmente em regime fechado; e Leonardo Kassio Arno, apontado como integrante do grupo, a 10 anos e 5 meses, em regime inicial fechado.

Surpreendendo zero pessoas, a defesa dos quatro condenados informou que a decisão “está completamente destoada da realidade dos fatos”. A condenação é em primeira instância e cabe recurso.

A TI Yanomami é o maior Território Indígena do Brasil, com cerca de 10 milhões de hectares, e abriga mais de 33 mil indígenas. Há três anos está sob emergência humanitária, devido aos danos causados pelo garimpo ilegal à saúde, modo de vida e segurança da população originária.

  • Em tempo 1: Mesmo depois de três anos da atuação do governo federal para expulsar garimpeiros da região, a malária ainda persiste entre os Yanomami. Embora a letalidade tenha caído, os casos continuam em níveis epidêmicos. Um dos pontos analisados para o cenário são as falhas na agilidade dos diagnósticos, destaca O Globo.

  • Em tempo 2: O governo federal iniciou na 2ª feira (2/2) a implantação de unidades demonstrativas de soberania alimentar na TI Yanomami. A primeira delas será instalada na comunidade Sikamabiu, na região do Baixo Mucajaí, em Roraima, onde vivem 30 famílias, sendo quase 400 indígenas, informa o Correio Braziliense.

  • Em tempo 3:A Folha mostra como garimpeiros  agindo na TI Raposa Serra do Sol, em Roraima, estão aliciando comunidades locais, usando redes sociais, piquetes e até um minidocumentário para fortalecer um movimento contra operações de combate à exploração ilegal de ouro na região. A atividade no território segue crescendo, apesar das constantes operações da força nacional no território. Investigadores apontam que os garimpeiros têm apoio de pequenos grupos indígenas, que atuam, inclusive, na linha de frente da exploração.

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