APIB: Acordo UE-Mercosul ameaça direitos indígenas e agrava crise climática

Governo falha em proteger Povos Indígenas ao priorizar commoditiesem detrimento da agricultura indígena e familiar, afirma a entidade.
4 de fevereiro de 2026
apib acordo ue mercosul direitos indígenas crise climática
Composição de ClimaInfo com imagens de domínio público

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) reiterou sua oposição à assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que deverá ser analisado pela Câmara dos Deputados logo depois do Carnaval. A entidade classifica o texto como um vetor de aprofundamento de um modelo econômico predatório. A redução de tarifas para commodities agrícolas e minerais amplia a pressão sobre florestas e Territórios Indígenas, destaca a Revista Cenarium.

O acordo também estimula grandes obras logísticas, como ferrovias, hidrovias e corredores de exportação, reforça a APIB. Esses empreendimentos são associados à invasão de mais de 90% das Terras Indígenas do país e ao agravamento de conflitos fundiários e da violência contra comunidades, destaca ((o))eco.

Outro ponto levantado pela entidade indígena é a ausência de consulta livre, prévia e informada (CLPI) aos povos afetados, exigida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.

Para a APIB, o texto aprovado falha em garantir as salvaguardas mínimas aos Povos Indígenas, ao priorizar o fortalecimento das cadeias de produção em larga escala voltadas à exportação, em vez da agricultura indígena e familiar.

A negociação, que durou 25 anos, também é marcada pela total ausência de participação da sociedade civil e de Povos Indígenas e Tradicionais, tanto nos países do Mercosul quanto na União Europeia. “Sem transparência e participação popular, o acordo aprofunda assimetrias e transfere custos sociais, ambientais e climáticos ao Sul Global, enquanto concentra benefícios em grandes corporações”, diz a nota.Para defender um multilateralismo que prioriza Direitos Humanos e proteção de biomas e dos territórios, a APIB clama aos governos e parlamentares que não ratifiquem o acordo, informa o Alma Preta. “Não há Justiça Climática sem a proteção integral dos Territórios Indígenas”, reforça a organização.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar