Indígenas bloqueiam acesso a aeroporto de Santarém contra dragagem do Tapajós

Mobilização ainda exige retirada de trechos do Tapajós e dos rios Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização.
4 de fevereiro de 2026
indígenas dragagem tapajós
Reprodução Instagram (@alessandra_korap)

Indígenas de diversas etnias da região do rio Tapajós bloquearam na 4a feira (4/2) o acesso ao aeroporto de Santarém, no Pará, em protesto contra a dragagem do curso d’água e pela suspensão de um decreto que prevê hidrovias em rios da Amazônia. Há 15 dias indígenas ocupam uma unidade da trading agrícola Cargill na cidade pelos mesmos motivos.

Representantes do governo federal se reuniram ontem com os indígenas na Cargill para discutir o decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND), informa a Folha. A medida abre caminho para concessões e para a privatização da “manutenção da navegabilidade”, incluindo dragagens, avaliam os indígenas.

Os manifestantes alegam que o processo de dragagem do Tapajós teria sido iniciado antes da finalização dos estudos ambientais exigidos por lei. Além disso, as comunidades indígenas afirmam que o governo federal descumpriu compromissos assumidos anteriormente, segundo o Estado do Pará Online.

Em novembro do ano passado, representantes do Executivo teriam garantido que não haveria avanço em projetos no Tapajós sem a devida consulta livre, prévia e informada (CLPI) às populações afetadas, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Mas isso não aconteceu.

Sem acordo, os manifestantes decidiram impedir a saída dos representantes governamentais do acampamento e bloquearam a avenida Fernando Guilhon, que dá acesso ao aeroporto de Santarém, obrigando passageiros a atravessar andando o trecho fechado no protesto. Foram impedidos de sair do acampamento Marcos Kaingang, secretário nacional de direitos territoriais do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); Pagu Rodrigues, diretora de Direitos Humanos da FUNAI; e Marcelo Fragoso, chefe de gabinete da Secretaria-Geral da Presidência.

“Estamos aqui ocupando a empresa internacional Cargill. Agora nós estamos fechando o aeroporto de Santarém. Aonde chega muito turismo, só para tirar foto, tomar banho, mas não sabe o problema que estamos enfrentando”, disse Alessandra Korap Munduruku, liderança indígena da região.

“O presidente (Lula) assinou um decreto que privatiza três rios, o Tapajós, o Tocantins e o Madeira. E ainda por cima saiu o edital onde facilita a dragagem do rio Tapajós. Então, a gente não pode mais ficar parado”, completou.

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