Vale não acionou plano de contingência após vazamento em mina

Prefeitura de Congonhas mantém suspenso o alvará da mineradora, enquanto o MPF pede novo bloqueio de R$ 200 milhões da empresa.
5 de fevereiro de 2026
governo anm rompimento dique vale
Jeso Carneiro/Flickr

O prefeito de Congonhas (MG), Anderson Cabido (PSD), afirmou que, após o vazamento de água e rejeitos em uma cava da mina de Fábrica, no domingo retrasado (25/1), a Vale não acionou o plano de contingência criado para proteger a população contra riscos de barragens. Chamado de AGIR – Ações e Gestão Integrada de Riscos -, o plano foi elaborado em conjunto pela Defesa Civil e mineradoras que operam na cidade.

A prefeitura só foi avisada do primeiro vazamento, ocorrido no início da madrugada, às 11h de domingo, e pela CSN Mineração, informa o Investing.com. Três oficinas e o almoxarifado da empresa foram atingidos por uma enxurrada de lama, que chegou a 1,5 m de altura, oriunda da mina da Vale.

“Não fomos nem informados pela Vale. A gente considera esse episódio muito grave. O nosso plano é justamente para retirar pessoas de áreas de risco na hipótese de que algo mais grave aconteça. E o AGIR não foi acionado. A Vale também precisará responder por isso“, disse Cabido.

O rejeito que vazou da mina chegou ao rio Goiabeiras, que cruza a cidade, e o deixou bastante assoreado. A mineradora se responsabilizou pelo desassoreamento do rio, mas informou que no momento não poderá fazer isso devido às chuvas.

A situação mostra uma lacuna de normas específicas para estruturas de drenagem e sumps (sistemas de captação e bombeamento de água) em empreendimentos minerários. “Estamos propondo inaugurar o debate sobre a normatização dessas estruturas“, afirmou Cabido ao Poder 360.

A mineradora teve o alvará de funcionamento suspenso devido à dimensão do problema. Segundo o prefeito de Congonhas, a suspensão durará até que a Vale comprove ao município que todas as medidas de segurança foram adotadas e que a manutenção adequada das estruturas de drenagem seja realizada.

Já o Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça um novo bloqueio, de R$ 200 milhões, nas contas da Vale. O órgão já solicitara o bloqueio de R$ 1 bilhão da mineradora. Segundo a Folha, o novo pedido do MPF se deve ao “transbordamento de água e sedimentos que atingiu cursos d’água responsáveis por alimentar o rio Paraopeba, causando assoreamento de córregos e danos à vegetação”.

Ademais, o MPF pediu uma série de medidas para garantir a segurança da mina, como a contratação da auditoria técnica independente para acompanhar as obras necessárias para garantir a segurança das cavas e dos reservatórios. A Vale também deve apresentar um relatório completo sobre a situação de estruturas semelhantes em todas as suas minas no estado de Minas Gerais.

Alma Preta e o O Tempo também noticiaram atualizações sobre o vazamento da mina da Vale em Congonhas.

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