
Divulgado na última 5ª feira (5/2) pelo governo federal, o Plano Clima foi classificado por entidades ambientalistas como “tímido” e de “baixa ambição” por não mencionar diretamente o fim dos combustíveis fósseis e por transferir parte da responsabilidade pelo combate ao desmatamento do agronegócio ao poder público.
Apesar de avanços importantes, como a inclusão da Justiça Climática como princípio orientador e transversal, o plano traz ambiguidade nas metas de redução de emissões até 2035. O setor da energia, por exemplo, prevê aumento de emissões, com falta de clareza sobre os caminhos para substituir os combustíveis fósseis, criticam Observatório do Clima (OC) e Greenpeace.
“O plano deveria excluir a exploração de combustíveis fósseis em áreas ambientalmente sensíveis, prever cronograma para eliminação de novos leilões de petróleo, parar com a geração de energia elétrica a partir do carvão mineral, prever redução substancial dos bilionários subsídios que o governo assegura aos combustíveis fósseis, entre outras medidas. Está longe disso”, analisa Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do OC, ao jornal O Globo.
No setor da agricultura, o agronegócio conseguiu reduzir as responsabilidades previstas no Código Florestal no combate ao desmatamento, analisa a especialista em Política Climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo. “Ao invés dos poluidores pagarem pelos impactos que provocam, o agro conseguiu o oposto: colocar a responsabilidade do combate ao desmatamento na conta do governo e receber incentivos que, no fim, serão custeados por todos nós”, afirma.
Para as entidades ambientalistas, é necessário que o plano esteja integrado a outras políticas públicas e ao mapa do caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis e ao mapa do caminho para zerar o desmatamento.
Como lembra o g1, o Plano Clima pode impactar diretamente o cotidiano da população, pois orienta políticas públicas voltadas à prevenção de desastres ambientais, à melhoria na infraestrutura urbana e à proteção de serviços essenciais.
Caso o Brasil não combata as mudanças climáticas com a seriedade necessária, o país pode perder até R$ 17,1 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB) até 2050, informa o Um Só Planeta. Além disso, há a possibilidade de perder 4,4 milhões de empregos em um cenário de falta de ação.
Envolverde e Projeto Colabora também trouxeram análises sobre o sumário executivo do Plano Clima.



