Renováveis superam fósseis na geração elétrica da Austrália, país que copreside a COP31

O recorde de participação de renováveis também impactou os preços da energia elétrica no mercado livre, que caíram quase pela metade no período.
8 de fevereiro de 2026
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Imagem por Rawpixel

Copresidente da COP31, junto com a Turquia, a Austrália obteve um marco inédito no consumo de energia elétrica no ano passado. No 4º trimestre de 2025, as fontes renováveis e os sistemas de armazenamento de energia abasteceram mais de 50% da demanda elétrica do país. O avanço levou a uma queda histórica da geração a carvão e reduziu o uso de gás fóssil ao menor patamar desde o ano 2000.

Os dados foram divulgados pelo Operador do Mercado de Energia da Austrália (AEMO, sigla em Inglês). Além de reduzir as emissões da geração elétrica no país, o recorde de participação das renováveis teve impacto direto nos preços da eletricidade no mercado livre (no qual o consumidor pode escolher seu fornecedor), que caíram quase pela metade no período, relata o Um Só Planeta.

Para Violette Mouchaileh, diretora-executiva de Políticas e Assuntos Corporativos da AEMO, o resultado representa um ponto de inflexão na matriz energética australiana. “É um momento histórico”, frisa. Principalmente para um país que vem sendo conservador em suas metas climáticas e que defende o carvão, combustível fóssil do qual detém grandes reservas.

O Guardian destaca que a rede elétrica australiana está mudando rapidamente, com o carvão e o gás fóssil ficando para trás. Nos últimos sete dias de janeiro, a fonte solar forneceu 30% de toda a eletricidade na rede principal do país, que abastece os cinco estados do leste e o Território da Capital Australiana (ACT). Isso, considerando os períodos diurno e noturno.

Se o cálculo se restringir apenas aos períodos em que o sol está presente, os números são ainda mais impressionantes. A energia solar atendeu a 59% da demanda de eletricidade entre 9h e 18h. E mais da metade – 37,6% do total – veio de sistemas de pequena escala instalados em telhados. O restante veio de grandes usinas solares.

A longa, complexa e difícil transição energética da Austrália está finalmente dando resultados, avalia Tony Wood, pesquisador sênior em Energia e Mudanças Climáticas do Instituto Grattan. Em uma pesquisa recente liderada por ele, se essas tendências continuarem, os australianos terão contas de luz mais baixas até meados de 2026.“

Com o fechamento de mais usinas a carvão e a implementação de novas infraestruturas de transmissão e de armazenamento, os preços da eletricidade podem subir novamente. Mas, no geral, a mudança na demanda, com a redução do uso de gás e carvão para geração de energia e de gasolina para veículos, provavelmente resultará em contas de energia significativamente menores para as residências”, explica Wood no The Conversation.

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