
O mês passado foi o 5º janeiro mais quente da história, segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S). No entanto, os Hemisférios Sul e Norte registraram temperaturas contrastantes, com calor extremo no primeiro e frio incomum no segundo. Algo que, ao contrário do que negacionistas tentaram pregar, confirma o “novo anormal” provocado pelas mudanças climáticas – cuja principal causa, vale ressaltar, é a queima de petróleo, gás fóssil e carvão.
O C3S registrou que janeiro teve uma temperatura 1,47°C acima da média pré-industrial (1850-1900). O valor ficou 0,28°C abaixo da maior anomalia já registrada para o mês, de 1,75°C, estabelecida em janeiro de 2025, segundo o Down to Earth.
Mas as temperaturas variaram muito entre as regiões. A Europa registrou o janeiro mais frio desde 2010, e a maior parte da América do Norte foi atingida por temperaturas extremamente baixas, chegando a -42°C. Já partes do Hemisfério Sul, incluindo Austrália, Chile e Patagônia, sofreram com um calor excepcionalmente intenso, que alimentou incêndios florestais devastadores, detalha o Earth.org.
De modo geral, as temperaturas permaneceram acima da média em muitas regiões, incluindo o Ártico, o oeste da América do Norte e várias partes do Hemisfério Sul, segundo a Euronews. “Janeiro de 2026 trouxe um lembrete contundente de que o sistema climático pode, por vezes, produzir simultaneamente clima muito frio em uma região e calor extremo em outra”, afirma Samantha Burgess, líder estratégica para o clima no C3S.
Os dados em nível planetário reforçam que o aquecimento global não significa que eventos extremos de frio deixarão de ocorrer. “Essas flutuações regionais de temperatura podem, temporariamente, pesar mais do que a tendência de aquecimento de longo prazo, mas não contradizem nossa compreensão das mudanças climáticas”, afirma o Copernicus.
Os oceanos registraram média de 21°C no mês passado – o quarto maior valor para janeiro -, e algumas porções do Atlântico Norte documentaram a maior temperatura para o período, segundo a Folha. O C3S ainda informa que a extensão do gelo no Ártico foi 6% abaixo da média, sendo a terceira pior medição em janeiro.
No sudeste da África, na Indonésia, na Nova Zelândia, na Colômbia e em grande parte da Europa, o grande problema foram as fortes chuvas no final de janeiro. As tempestades provocaram inundações e deslizamentos de terra e causaram dezenas de mortes. Situação observada no Brasil neste início de fevereiro, com as tradicionais chuvas de verão ocorrendo com mais frequência e intensidade que o habitual e causando pelo menos 10 mortes nos últimos dias (leia aqui).



