
Os defensores da exploração de petróleo no Brasil “até a última gota” bradam que é preciso explorar a Foz do Amazonas, senão o Brasil terá de voltar a importar a commodity. Mas o Relatório de Produção e Vendas da Petrobras do 4º trimestre de 2025, divulgado na 4ª feira (10/2), joga essa narrativa por terra. Nunca na história deste país a estatal produziu tanto petróleo e gás fóssil. E nunca exportou tanto petróleo quanto no ano passado.
Em 2025, a produção média foi de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) por dia – que soma a extração de petróleo e de gás fóssil. O número representa um crescimento de quase 11% em relação ao volume médio produzido no ano anterior e é recorde nos 72 anos da petrolífera.
Considerando apenas a produção de petróleo, a estatal fechou o ano passado com uma extração média de 2,4 milhões de barris por dia (bpd). Desse volume, a Petrobras exportou 765 mil bpd, um recorde, e um terço do que a empresa extraiu no Brasil foi parar no exterior. Apenas no último trimestre de 2025, a Petrobras chegou a exportar 1 milhão de barris diários de petróleo.
Considerando também outros derivados de petróleo, as vendas da Petrobras para o exterior somaram 978 mil barris por dia. Além do óleo cru, a estatal exportou no ano passado 170 mil bpd de óleo combustível e 43 mil bpd de outros derivados refinados em suas plantas.
Mesmo exportando, a Petrobras ainda precisa importar óleo cru, para mistura com o petróleo nacional em suas refinarias, e também derivados já refinados, principalmente óleo diesel, para abastecer o mercado interno. Esse volume médio ficou em 332 mil bpd em 2025. Menos da metade do petróleo exportado e um terço do óleo cru e dos derivados vendidos para o exterior.
A Petrobras é uma empresa controlada pelo governo brasileiro. Se a preocupação fosse, de fato, com a soberania energética nacional e a segurança do abastecimento interno, parte do que a petrolífera exporta deveria constituir um estoque estratégico para situações de emergência. Mas, em vez disso, o petróleo nacional é “torrado” em exportações que certamente renderão maior lucro para a companhia e a distribuição de mais dividendos para seus acionistas, 70% deles privados e quase metade estrangeiros.
Em última instância, os recursos do óleo cru que a Petrobras exporta – 52% do petróleo vendido no 4º trimestre de 2025 foi para a China – deveriam ser usados para financiar a transição energética justa da qual a empresa propagandeou ser líder. No entanto, isso não acontece. Tanto assim que em seu mais recente Plano de Negócios (2026-2030), a estatal reduziu em 20% sua previsão de investimentos em transição.
O Relatório de Produção e Vendas da Petrobras foi amplamente repercutido pela imprensa, com matérias em Valor, Vero Notícias, ADVFN, Agência iNFRA, Jornal de Brasília, Seu Dinheiro, O Globo, InfoMoney, g1, UOL, Brasil Energia, eixos, Brasil 247, Times Brasil, Valor Investe, Valor e Money Times.
Em tempo: Um novo relatório de simulação de vazamento de petróleo no bloco FZA-M-59, divulgado pela Petrobras em 23 de janeiro, reacendeu o alerta sobre os riscos ambientais da exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas. Os técnicos buscaram reproduzir um cenário realista de acidente, com foco no monitoramento, no resgate e no atendimento a uma possível fauna atingida pelo óleo. Apesar de ser um componente central do ecossistema da margem equatorial, o Grande Sistema de Recifes da Amazônia não foi incluído na análise, nem apareceu entre as áreas consideradas prioritárias para proteção, mostra a InfoAmazonia. Isso significa que, em caso de um vazamento de óleo, os recifes amazônicos ficariam de fora das medidas de resposta emergencial previstas pela estatal.



