
Nunca na história deste país o Brasil produziu e exportou tanto petróleo quanto em 2025. Um volume recorde que, quando queimado, aumentou as emissões de gases de efeito estufa e agravou as mudanças climáticas. Mas o crescimento das emissões do petróleo brasileiro não se restringiu ao chamado Escopo 3, que trata do consumo e de que todas as petrolíferas se isentam de responsabilidade, aqui ou em outras partes do mundo. Também ocorreu na produção desses combustíveis fósseis.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o volume de gás fóssil queimado em plataformas petrolíferas chegou a 5,1 milhões de metros cúbicos (m³) por dia em 2025. É um crescimento de 17% em relação a 2024 e a maior quantidade de gás queimada em unidades de produção desde 2010, quando a queima foi de 6,6 milhões de m³/dia, detalha a Folha, em matéria repercutida por Click Petróleo e Gás, Agenda do Poder e Acessa.
Queimar gás fóssil em plataformas e outras unidades de produção não aumenta apenas as emissões de dióxido de carbono. A prática ainda tem grande potencial para liberar metano, um gás com poder estufa 80 vezes maior do que o CO2. “(A queima) contribui, de forma cada vez mais escalonada, para a mudança climática”, reforça Luiz Afonso Rosário, consultor sênior da 350.org.
Cálculos do Banco Mundial indicam que a queima de gás em plataformas emite cerca de 400 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano – o equivalente a todas as emissões do Egito em 2023. Em 2024, o volume desse combustível fóssil queimado no mundo atingiu o maior patamar desde 2007.
A ANP justifica a elevação pela entrada em operação de novas plataformas ao longo do ano, já que o comissionamento dos equipamentos exige queima total de gás nos primeiros meses. Em 2025, a Petrobras colocou três novas plataformas em operação. E a norueguesa Equinor começou a operar uma unidade em Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, também de grande porte, como as da estatal brasileira.
A Petrobras afirma que os dados da ANP consideram todas as empresas com operações no Brasil, mas que suas emissões cresceram menos de 2% em 2025, mesmo diante do aumento de 13,5% na produção operada pela companhia. Porém, em seu relatório anual de produção, a estatal aponta que suas emissões de GEE aumentaram 7% no ano passado. A petrolífera também cita a operação das novas plataformas como justificativa, além do aumento no uso de gás, com a inauguração de uma unidade de tratamento do combustível fóssil no Rio de Janeiro.
De acordo com o IBAMA, as emissões de GEE são um dos principais impactos considerados no licenciamento de projetos petrolíferos no país. Por isso, o órgão ambiental incluiu a necessidade de implementar um plano de mitigação no processo de licenciamento da Petrobras para a Etapa 4 do pré-sal – exigência que foi questionada pela petrolífera. “Gradativamente, a mesma medida será incorporada aos demais licenciamentos dessa tipologia”, explica o IBAMA. A ver.



