EUA ameaçam novamente deixar agência de energia por defesa do clima

Governo de Trump pressiona IEA a abandonar a modelagem de cenários de emissões líquidas zero, afirmando que metas são irrealistas.
19 de fevereiro de 2026
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Donica Payne (Departamento de Energia dos Estados Unidos)

Em mais um ataque do governo Trump à agenda climática e ambiental, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright – um ex-executivo da indústria do petróleo, vale lembrar -, ameaçou novamente que seu país deixará a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em Inglês). O piti ocorreu na 3ª feira (17/2), um dia antes da reunião da organização com ministros de Energia de países-membros.

Wright afirma que a IEA precisa concluir reformas “para que os EUA permaneçam como membro de longo prazo”, relata a Bloomberg. “Se ela voltar a ser o que era, uma agência internacional de coleta de dados fantástica, que estava se aprofundando em minerais críticos e focada em grandes questões energéticas, estamos totalmente de acordo”, disse ele. “Mas se insistirem que ela seja dominada e permeada por questões climáticas, sim, então estamos fora”, reforçou o ex-executivo da indústria petrolífera.

A IEA recebe anualmente cerca de US$ 6 milhões (R$ 31 milhões) dos EUA, valor que equivale a aproximadamente 14% do seu orçamento. Em 2025, parlamentares republicanos já haviam demonstrado seu descontentamento com a agência, denunciando a entidade por “politizar suas projeções”, segundo eles.

A bronca do “agente laranja” e sua gangue com a IEA envolve as projeções da entidade, que encampou a necessidade de cortar as emissões de gases de efeito estufa para conter as mudanças climáticas e por isso apoia a descarbonização do setor energético global. Algo inadmissível para os EUA de Trump. Tanto que Wright disse que “Washington não precisa de um cenário de emissões líquidas zero” e que as metas são irrealistas, conta a Reuters.

Fundador de uma empresa especializada em fraturamento hidráulico – prática de explorar combustíveis fósseis ainda pior do que as técnicas tradicionais de extração de petróleo e gás -, Wright tentou arregimentar outros ministros de Energia presentes na reunião. Mas muitos países rejeitaram sua birra, como o Reino Unido, a Áustria e a França, destaca a Folha.

A premissa básica das emissões líquidas zero é central para as previsões que, por sua vez, pautam políticas globais sobre a transição verde e movimentam bilhões em investimento, explica o Politico.

Euro News, Le Monde e Financial Times também repercutiram o novo ataque dos EUA à IEA.

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