
Aparentemente Trump conseguiu o que queria. Em documento publicado na 6ª feira (20/2), após o fim da reunião bienal de ministros, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em Inglês) fez apenas uma menção bastante tímida às mudanças climáticas. Esta era uma exigência do “agente laranja”, que ameaçou cortar o apoio financeiro à entidade caso insistisse em apoiar explicitamente a descarbonização.
O resultado da reunião contrasta com documentos prévios publicados pela IEA num período em que o mundo parecia estar livre de Trump, lembra o Observatório do Clima. Em 2021, o relatório Net Zero by 2050 dava conta de que o mundo precisava passar por uma “transformação completa de como se produz, se transporta e se consome energia”, deixando claro que isso implicava fim de qualquer novo projeto de extração de combustíveis fósseis.
No entanto, na avaliação do E&E News, o que não é dito às vezes é o que transmite a mensagem mais forte. É fato que as mudanças climáticas, que dominaram grande parte das discussões da agência nos últimos anos, foram pouco mencionadas. Mas a reunião terminou sem a habitual declaração conjunta de seus 33 países membros.
Em vez disso, a IEA divulgou um resumo que evidenciou as divergências. “A grande maioria dos ministros salientou a importância da transição energética para combater as alterações climáticas e destacou a transição global para emissões líquidas zero, em linha com os resultados da COP28”, diz o texto.
A Reuters destaca a minimização pelos países europeus da ameaça de Trump na reunião bienal da agência e que estes reafirmaram seu compromisso com a busca por combustíveis mais limpos. Isso, apesar da União Europeia ter decidido adiar o banimento de motores a combustão em cinco anos, para 2040.
Além disso, o diretor da IEA, Fatih Birol, recusou-se a comentar a exigência dos EUA de remover o cenário de emissões líquidas zero da previsão anual da agência no relatório World Energy Outlook. No entanto, reforçou que seus dados são globalmente respeitados como confiáveis.
Em tempo: Na mobilização para elaborar o mapa do caminho global para se eliminar os combustíveis fósseis, o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, explicou à RFI que os trabalhos agora se voltam para compilar os dados mais recentes, para fundamentar uma proposta equilibrada, no contexto em que a maioria dos países ainda têm forte dependência de petróleo, gás fóssil e carvão. “Queremos que o mapa do caminho internacional seja um instrumento de desmistificação dos problemas relacionados a isso e de simplificação do grande volume de informações existentes. Todas as instituições relacionadas à energia podem contribuir”, disse Corrêa do Lago.



