Térmicas a combustíveis fósseis farão conta de luz subir mais que inflação

O baixo nível dos reservatórios deve ampliar o acionamento de térmicas, que, além de mais caras, são mais sujas e agravam as mudanças climáticas.
23 de fevereiro de 2026
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Marcos Oliveira/Agência Senado

As contas de luz foram as vilãs da inflação em 2025 e a situação não deve mudar neste ano. Segundo O Globo, consultorias e bancos preveem aumento de 5,1% a 7,95% nas tarifas elétricas em 2026 – o IPCA previsto para o ano é de 3,95%, segundo dados do último boletim Focus, do Banco Central.

A “dor elétrica” no bolso do consumidor ocorrerá diante de um cenário de reservatórios de hidrelétricas baixos, de maior uso de termelétricas movidas a combustíveis fósseis e de elevação de subsídios na conta de luz. Apesar das chuvas acima da média neste início de ano, o que aliviou as hidrelétricas em boa parte do país, a perspectiva de um El Niño pode impactar negativamente as precipitações – sem falar no aumento das temperaturas e no consequente aumento do consumo de energia elétrica.

Menos água nos reservatórios implica maior acionamento de térmicas, que produzem energia bem mais cara e mais suja, aumentando as emissões de poluentes locais e gases de efeito estufa do setor elétrico brasileiro. Soma-se a isso as limitações da transmissão de eletricidade das usinas eólicas e solares do Nordeste, que ainda não foram resolvidas e provocam desperdício de  energia renovável.

O problema, porém, não é conjuntural, mas estrutural. Com o Brasil atrasado na instalação de sistemas de armazenamento de energia elétrica – o leilão para contratar essas baterias está prometido pelo governo para este ano após adiamentos -, a tendência é de aumento da participação de energia elétrica fóssil. O que vai na contramão da transição energética e de qualquer mapa do caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis.

Um estudo da consultoria Aurora Energy Research mostra que a participação das hidrelétricas na matriz brasileira deverá cair de 42% em 2026 para 36% em 2030 e para 28% em 2040, reflexo da diversificação das fontes de energia no país. Em sentido oposto, a participação das termelétricas movidas a gás fóssil, óleo combustível e carvão deverá subir dos atuais 10% para 16% em 2030 e 18% em 2040, detalha o Canal Solar.

O levantamento avalia que o avanço das térmicas está relacionado, sobretudo, à ausência de novos grandes projetos hidrelétricos com reservatórios – um modelo de geração elétrica de grande impacto socioambiental, já afetado pela crise climática e pela irregularidade das chuvas, sem falar na indisponibilidade de grandes aproveitamentos hídricos fora da Amazônia. Por isso, para a consultoria, a expansão de sistemas de armazenamento pode segurar a projetada expansão termelétrica sem comprometer a segurança energética, desde que sejam implantados em larga escala nos próximos anos.

O governo está prestes a realizar um leilão de reserva de capacidade (LRCAP) para contratar energia de termelétricas a combustíveis fósseis. Depois do choro de empreendedores, o Ministério de Minas e Energia (MME) ajustou em até 100% os valores, informa a eixos.

Ao analisar o leilão, o diretor de Regulação e Inovação da Serena, Bernardo Bezerra, aponta, na eixos, que essa contratação será feita em um momento adverso para térmicas a gás em todo o mundo. Por isso, defende que o maior investimento deveria ser destinado a sistemas de armazenamento de energia. Bom para o clima e para o bolso do consumidor, segundo ele. 

“Segurança energética não se constrói apenas contratando mais megawatts. Constrói-se contratando o megawatt certo, para a hora certa, ao menor custo possível para o consumidor”, afirma Bezerra.

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