
Temporais em cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo deixaram dezenas de mortos e centenas de desabrigados desde 6ª feira (20/2). Cidades decretaram estado de calamidade, com estradas interditadas, escolas fechadas e diversos deslizamentos de terra.
Ao menos 23 pessoas morreram entre 2ª e 3ª feira (23 e 24/2) em Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, informam Estado de Minas e Veja. De acordo com o Corpo de Bombeiros, até a tarde de ontem havia 16 mortos e 43 desaparecidos em Juiz de Fora e 7 mortos e 4 desaparecidos em Ubá.
Escolas municipais e estaduais tiveram aulas suspensas e foram abertas para o acolhimento de desabrigados. Somente em Juiz de Fora, são 440 pessoas deslocadas, relatam UOL e CNN Brasil.
Segundo o g1, o Ministério da Defesa atendeu ao pedido de apoio às ações de resposta feito pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Entre elas estão a disponibilização de viaturas, o emprego de tropas na limpeza e desobstrução de vias públicas e a organização de abrigos temporários.
Em São Paulo, a Defesa Civil informou que já são 300 pessoas desabrigadas e outras 113 desalojadas devido às fortes chuvas de 2ª feira em Natividade da Serra, entre o Vale do Paraíba e o litoral norte do estado. Cidades do litoral paulista também enfrentam alagamentos e deslizamentos, e rodovias como a Anchieta e a Tamoios sofreram interdições, detalha a CBN. A cidade de Peruíbe, na Baixada Santista, registrou, em três dias, mais chuva do que o esperado para todo o mês de fevereiro.
Já no Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense, fortes chuvas desalojaram pelo menos 600 pessoas e mataram uma idosa em São João de Meriti. A cidade está no 5º estágio de alerta, o mais alto da escala. “É muita água. Infelizmente é isso que estamos passando. Toda vez que chove é isso. Toda vez é isso na nossa porta. A gente fica assim ilhado”, desabafou ao g1 Débora Xavier, moradora de um dos bairros da cidade mais atingidos.
Nas redes sociais, o prefeito de Ubá, José Damato (PSD), disse que a “cidade está arrasada” e pediu ajuda ao governo federal, a senadores e deputados. Mas como Leonardo Sakamoto lembra no UOL, chuva e lama só matam porque têm políticos (e eleitores) como cúmplices. No mês em que a tragédia de São Sebastião, no litoral de São Paulo, completa três anos, Sakamoto lembra que os eventos climáticos extremos se repetem ao longo de décadas, sem que municípios, estados e a União estejam prontos para enfrentar essa realidade.
Ele ainda lembra a aprovação recente do PL da Devastação, o “pai de todas as boiadas”, que praticamente extinguiu o licenciamento ambiental no país. “Uma coisa é simplificar regras, a outra é derrubar os controles que impedem que isso vire a antessala do inferno”, afirma.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o tempo deve ficar mais instável nos próximos dias em todas as regiões do país. São esperadas chuvas fortes ou tempestades, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.



