
Na madrugada do 3º dia de buscas aos sobreviventes em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, o Corpo de Bombeiros precisou interromper as buscas devido ao grande volume de chuva e a novos deslizamentos. Foram 113 milímetros apenas na noite de 4ª feira (25/2) e 21 novos desmoronamentos.
O rio Paraibuna, que corta a cidade, está 4 metros acima de sua cota habitual. E a Avenida Rio Branco, a principal via de Juiz de Fora, chegou a ficar completamente tomada pela água.
Na tarde de 5ª feira (26/2), o número de mortos na região havia subido para 55, sendo 49 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Somando as duas cidades, 13 pessoas continuam desaparecidas e mais de 5 mil estão desalojadas ou desabrigadas, segundo a Rádio Itatiaia.
De acordo com a BBC Brasil, Juiz de Fora está na lista do CEMADEN das cidades com mais alertas emitidos em 2025. O município ficou atrás apenas de Manaus (AM), São Paulo (SP) e Petrópolis (RJ). Segundo o órgão, os alertas mais comuns foram de inundações e, principalmente, deslizamento de terra em encostas habitadas. Além disso, Juiz de Fora é a 9ª cidade do Brasil com maior população em áreas de risco.
Outro documento do CEMADEN, datado de 2017, mostra o risco elevado de deslizamentos de rocha na região do Morro do Cristo, próximo ao centro de Juiz de Fora. E esse morro registrou deslizamentos nas chuvas dos últimos dias.
Para Cássia Ferreira, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), falta continuidade nas políticas públicas no Brasil. “Isso é um processo que tem que ser contínuo. Estamos sempre correndo atrás desse prejuízo e não antecipando o prejuízo”, diz. As eleições de 2026 estão aí para que a população tente se lembrar disso.
O governo federal tinha disponibilizado R$ 491,4 milhões para operações de contenção de encostas e de drenagem em Juiz de Fora e Ubá, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo o Valor. Do valor total, R$ 426,7 milhões foram para Juiz de Fora e 64,7 milhões para a cidade de Ubá. Já por parte do governo mineiro, o investimento em prevenção caiu 96% na 2ª gestão de Romeu Zema (NOVO).
Enquanto isso, só aumenta o temor de que a tragédia piore. O INMET emitiu novo alerta de chuvas intensas, indicando deslocamento das áreas de instabilidade para o norte de Minas Gerais e outras regiões do interior do país. As chuvas com grau de severidade de “perigo” devem se manter até o fim de domingo (1/3), destaca a CNN Brasil.
O aviso também engloba áreas da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Maranhão, Tocantins, Goiás, Pará, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e o Distrito Federal.
Nexo, g1 e Estadão também atualizaram as informações sobre as chuvas extremas e as mortes na Zona da Mata mineira.



