Crise climática torna chuvas mais intensas e concentradas no Brasil

Especialistas concordam que as mudanças do clima têm aumentado a intensidade e a frequência de episódios como as chuvas extremas em Juiz de Fora.
26 de fevereiro de 2026
chuvas mudanças climáticas
Minas Gerais. Imagem da Prefeitura de Santarém via Agência Brasil

A sequência de temporais que provocou mortes na Zona da Mata mineira e causou alagamentos e deslizamentos no litoral de São Paulo e no Rio de Janeiro, também com mortes, reacende uma pergunta, mostra a Folha: até que ponto as mudanças climáticas estão por trás de chuvas cada vez mais intensas e concentradas em um curto período de tempo?

Do ponto de vista científico, especialistas explicam que não é possível atribuir automaticamente um evento isolado à crise do clima. Contudo, é consenso que as mudanças do clima têm aumentado a intensidade e a frequência de eventos climáticos extremos.

“O impacto da mudança climática é que a frequência de acontecimentos extremos aumenta. Com a atmosfera aquecida, aumenta a capacidade dela de reter água. Ela consegue acumular volumes maiores, e isso pode provocar precipitações mais intensas”, detalha Fernando Ramos Martins, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Para Gilvan Sampaio, doutor em meteorologia do INPE, o aumento da temperatura provoca dois efeitos principais nas regiões tropicais. “Nas regiões onde se tem mais disponibilidade de umidade, ou seja, a maior parte do Brasil, a evaporação aumenta e as nuvens ficam mais profundas, gerando chuvas mais intensas”, afirma. “Já nas regiões mais secas, o aumento da temperatura vai aumentar a demanda por evaporação, só que sem ter umidade. O processo de formação de nuvem se torna menos eficiente e a tendência é que aquela região fique mais seca”, completa.

Climatologista e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do CEMADEN, José Marengo reforça que estudos de atribuição já identificam uma tendência consistente de alta de eventos extremos associada à crise climática. Segundo ele, as regiões Sudeste e Sul são as mais expostas, tanto pela densidade populacional quanto pela infraestrutura. “Desastre depende não só da ameaça, mas também da vulnerabilidade”, afirma (Leia aqui a entrevista de Marengo ao ClimaInfo).

Um sinal das mudanças climáticas é a temperatura do Oceano Atlântico, que está entre 2oC e 3oC mais alta que o habitual. Esse aquecimento oceânico tem alterado o regime de chuvas no Brasil e contribuído para a ocorrência de eventos extremos, como os temporais que atingiram São Paulo Minas Gerais e Rio nos últimos dias, informa a Rádio Itatiaia.

Dados de monitoramento, incluindo registros da Administração Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA, sigla em Inglês), indicam que o aquecimento dos oceanos se acelerou nas últimas décadas. Um estudo publicado em janeiro na revista Advances in Atmospheric Sciences aponta que, em 2025, o aquecimento global dos oceanos atingiu um novo recorde, impulsionado pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Entenda as mudanças climáticas

Você irá compreender os seguintes tópicos: o que é emergência climática sob o ponto de vista científico; quais são as principais implicações das mudanças climáticas no nosso dia a dia; como se constitui a geopolítica do clima; e quais são as possíveis soluções para as
5 Aulas — 4h Total
Iniciar