
As mudanças climáticas intensificaram em pelo menos 11% o volume das chuvas que mataram mais de 50 pessoas em Portugal, Espanha e Marrocos desde 16 de janeiro. Essa é a conclusão de um estudo de atribuição da World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos.
A região de Grazalema, no sul da Espanha, recebeu 2.527 mm de chuva entre 1º de janeiro e 9 de fevereiro. O volume representa mais de 2,5 vezes o recorde anterior para o mesmo período, estabelecido no início de 2009, informa o Down to Earth.
Em Portugal, foram seis mortes durante uma das nove tempestades, com ventos chegando a 202 km/h. A intercorrência gerou um apagão que atingiu cerca de um milhão de pessoas e um prejuízo de € 3,5 bilhões (R$ 21 bilhões) na infraestrutura.
No Marrocos, as inundações causaram 43 mortes, desalojaram 300 mil pessoas e destruíram 110 mil casas, relata a Folha. Segundo o estudo, “a alta exposição foi agravada pela vulnerabilidade social, com um grande número de pessoas vivendo em assentamentos informais onde a qualidade da habitação, a infraestrutura e o acesso a serviços são frequentemente limitados”.
“Sabemos que uma atmosfera mais quente transporta mais umidade e, portanto, quanto mais carbono emitirmos, mais perigoso será o cenário para tempestades de inverno [europeu] como essas”, reforça Clair Barnes, do Centro de Política Ambiental do Imperial College.



