
Após severas tempestades de neve terem afetado milhões de pessoas nos Estados Unidos, parece estranho afirmar que o inverno está ficando mais curto por lá. Mas é o que mostra um estudo do Climate Central, grupo independente de ciência e comunicação sobre o clima. Segundo o levantamento, 90% das principais cidades estadunidenses estão, em média, com um inverno nove dias mais curto hoje do que de 1970 a 1997.
Juneau e Anchorage, no Alasca, estão entre os lugares mais afetados. Segundo o estudo, eles perderam 62 e 49 dias de inverno, respectivamente. Apenas 15% das 295 cidades analisadas tiveram invernos prolongados, especialmente na costa da Califórnia e no Vale do Ohio.
Com a ocorrência de tempestades de neve, negacionistas foram vocais ao questionar a ciência e as mudanças climáticas. Mas, como explica Mathew Barlow, professor de climatologia da Universidade de Massachusetts Lowell, “um inverno mais curto não significa que não haverá inverno”. “Se você espera pelo dia frio e diz: ‘Ah, está frio’ e ignora todos os outros dias quentes, isso não é uma tentativa honesta de avaliar os dados”, explica no Guardian.
Foi um recado direto ao presidente estadunidense, Donald Trump. O “agente laranja” ignora a explicação já dada pela ciência sobre a tempestade de janeiro: o fenômeno provavelmente foi causado pela expansão do vórtex polar. Esse fenômeno tem contribuído para eventos extremos nos EUA e o aquecimento global tem acelerado esse processo.
Invernos mais quentes e curtos causam impacto tanto nos seres humanos quanto no meio ambiente, destacam Axios e Um Só Planeta. Redução do abastecimento de água, diminuição da produção agrícola no verão e agravamento das temporadas de doenças transmitidas pelo ar são alguns exemplos.
“Esses não são apenas impactos que você vê pela janela ou que afetam sua capacidade de dirigir até o trabalho”, afirma Barlow. “Essas também são mudanças bastante substanciais nos ecossistemas, na saúde da nossa comunidade natural e nos nossos recursos hídricos.”



