
O primeiro dia útil após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã – um dos maiores produtores de petróleo do planeta – foi marcado pela disparada dos preços da commodity. Referência de mercado, o barril do tipo Brent chegou a subir 13% e atingir US$ 82,37, o maior valor desde janeiro de 2025, mas fechou o dia a US$ 77,74, alta de 6,7%, informa a Reuters. Movimento similar ocorreu com o WTI, outra referência do mercado.
O ataque, que continua escalando, também mexe com o setor de seguros. De acordo com o Financial Times, seguradoras cancelarão apólices e aumentarão os preços cobrados pela cobertura de petroleiros que atuam no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. O estreito, uma importante rota de exportação de petróleo, foi fechado pelo Irã, que ameaça incendiar navios.
As incertezas sobre a duração e o alcance do conflito fizeram analistas projetarem uma possível disparada dos preços da commodity. Há quem preveja que o barril poderá bater US$ 100 ou US$ 120 se a infraestrutura petrolífera do Oriente Médio for afetada ou se o fluxo de navios-tanque no estreito não for rapidamente restabelecido, destaca a Bloomberg,
O Irã já bombardeou países aliados dos EUA na região, danificando estruturas ligadas à indústria de petróleo e gás fóssil. O Catar interrompeu sua produção de gás liquefeito (GNL), e um ataque com drones paralisou as operações da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita, informa o Valor.
O novo conflito no Oriente Médio e o turbilhão no mercado mundial de petróleo reforçam a urgência de se acelerar a transição energética no planeta. Muitos países, principalmente os mais pobres, precisam importar petróleo para garantir seu abastecimento energético. Com a volatilidade de preços provocada pelo embate, economias já combalidas sofrerão cada vez mais. O que não ocorreria se produzissem energia localmente, e com fontes renováveis, reforça o Observatório do Clima.
A situação tende a piorar com o fator Donald Trump. Uma análise da 350.org e da Zero Carbon Analytics mostra que 68% da produção global do combustível fóssil é impactada pelas aspirações dos EUA de dominar os mercados mundiais de petróleo e gás.
“A dependência do petróleo nunca nos tornou tão vulneráveis e inseguros, um risco à segurança, expondo países e consumidores a aumentos repentinos de preços, interrupções no fornecimento e instabilidade provocada por conflitos. A verdadeira alternativa é óbvia: um sistema energético que nenhum ditador ou superpotência possa desligar, renovável, local e controlada pelas pessoas, não pelos poluidores.”, afirma Andreas Sieber, chefe de Estratégia Política da 350.org.
BBC, Guardian, Infomoney e Valor também noticiaram os impactos nos preços do petróleo.



