Abrolhos teve perda expressiva de corais em menos de 20 anos

Três eventos de branqueamento massivo ocorreram entre 2006 e 2023: dois globais e um local.
4 de março de 2026
abrolhos
Wikimedia Commons

Os corais do arquipélago de Abrolhos, no extremo sul da Bahia, estão sentindo intensamente os impactos das mudanças climáticas, da poluição e do desmatamento. Um levantamento inédito, realizado ao longo de 18 anos, mostra que houve reduções drásticas nas populações de espécies essenciais ao equilíbrio ambiental do Atlântico Sul. Algumas, como o coral-de-fogo, chegaram a quase desaparecer, destaca a Folha.

O estudo foi publicado na revista Proceedings of the Royal Society. A pesquisa analisou dados de monitoramento coletados de 2006 a 2023, período em que ocorreram três eventos de branqueamento massivo, sendo dois globais e um local.

Os pesquisadores descobriram que o coral-de-fogo, que só existe no Brasil, já está em estado de colapso em Abrolhos. Sua cobertura já era baixa no início do estudo – menos de 2% – e diminuiu ainda mais após 2017, auge de uma onda de calor marinha iniciada no ano anterior e que provocou o terceiro evento global de branqueamento.

Os corais-de-fogo são os únicos corais ramificados do Atlântico Sul e servem de berçário para peixes e invertebrados, que usam os ramos para se protegerem. A espécie é particularmente sensível ao calor.

As altas temperaturas de 2017 também levaram a uma redução brusca no coral-cérebro-da-bahia. A população desta espécie, que é endêmica – ou seja, só existe naquele local -, teve um declínio de 45%.

Ao longo do período analisado, a cobertura coralínea de Abrolhos caiu cerca de 15%. Isso porque o espaço deixado pelas espécies maiores e mais complexas foi ocupado por outras, menores e oportunistas. Conhecidos como corais “ervas daninhas”, eles têm crescimento rápido, vida curta e não são capazes de construir recifes. Essa população, que era a menos abundante em 2006, aumentou em mais de 150% até 2023.

“Quando a gente olha para a métrica de cobertura coralínea total, parece que é um declínio pequeno (de 15%). Mas o ecossistema recifal se simplificou nas últimas décadas, perdendo funções e complexidade. Em longo prazo, ele tende a fornecer menos benefícios para a sociedade”, explica o biólogo Rodrigo Moura, professor da UFRJ e um dos autores do estudo.

O Banco dos Abrolhos estende-se por 46 mil km² na costa brasileira e abriga os maiores e mais ricos recifes de coral do Atlântico Sul. Historicamente, a região sofreu menos com o estresse térmico, mas os episódios de ondas de calor aumentaram desde 2010.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Desafios e soluções

Aqui você terá acesso a conteúdo que permitirão compreender as consequências das mudanças climáticas, sob os pontos de vista econômico, político e social, e aprenderá mais sobre quais são os diferentes desafios e as possíveis soluções para a crise climática.
15 Aulas — 7h Total
Iniciar