Brasil bate recorde de intoxicações por agrotóxicos em 2025

Aumento de intoxicações está diretamente ligado à ampliação da oferta e do consumo; Brasil bateu recorde de aprovação de pesticidas em 2025.
5 de março de 2026
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Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em 2025, 27 pessoas se intoxicaram diariamente por agrotóxicos no país, mostra um levantamento da Repórter Brasil com base em dados do Ministério da Saúde. Foram 9.729 casos registrados, com alta de 84% sobre 2015, ano de início da série histórica, e um recorde.

As principais vítimas das intoxicações não intencionais – o que exclui episódios em que a contaminação foi deliberada – são homens de 20 a 39 anos (70%). Nesse grupo, 54% dos acidentes aconteceram no trabalho, e 80% estão relacionados ao uso de agrotóxico no meio agrícola. Desde 2015, o país soma 73.391 intoxicações por agrotóxicos, mostra o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

O estado campeão em intoxicação por agrotóxicos foi o Espírito Santo, com 10% dos casos registrados em 2025. Em seguida vem Tocantins, Rondônia, Acre e Roraima, todos da região Norte, mostrando os resultados nefastos da expansão do agronegócio na região.

Para especialistas, o aumento das intoxicações está diretamente ligado à ampliação da oferta e do consumo de pesticidas. O Brasil bateu recordes de aprovação e comercialização desses produtos. Apenas em 2025, foram 914 novos registros, um aumento de 38% sobre 2024. Já as vendas chegaram a 826 mil toneladas em 2024, crescimento de 9,3% em comparação a 2023, mostra o IBAMA.

“Com mais agrotóxicos disponíveis, há uma tendência de que o preço caia, fazendo com que o consumo aumente. Se o consumo aumentar, a população vai estar mais exposta”, afirma Loredany Rodrigues, professora de economia aplicada da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

A nova  Lei de Agrotóxicos, sancionada em 2024, agrava o cenário e representa um retrocesso regulatório, reforçam os especialistas. “Já faz tempo que as intoxicações por agrotóxicos não deveriam ser mais vistas como casos isolados, mas como um problema de saúde pública”, afirma Fernanda Savicki, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A geógrafa e especialista em agrotóxicos Larissa Bombardi lembra que enquanto muitos químicos estão proibidos ou com uso restrito na União Europeia, eles ainda são largamente usados – por empresas europeias – no Brasil. É o que Larissa chama de “colonialismo químico”, explica o Outras Palavras.

“A população rural no Brasil está cronicamente exposta a substâncias que são cancerígenas ou que provocam desregulação hormonal”, ressalta a geógrafa no Brasil de Fato. “Por estudos que temos, já sabemos que as  áreas em que mais se utiliza agrotóxico são aquelas em que há maior prevalência de câncer.”

Em nota enviada à Repórter Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relaciona o avanço das intoxicações ao peso econômico e político do agronegócio. Fato que, segundo a pasta, tem favorecido a adoção de medidas de interesse do setor.

ICL Notícias e Racismo Ambiental também repercutiram o assunto.

  • Em tempo: A gigante química alemã Bayer chegou a um acordo de US$ 7,25 bilhões (R$ 37 bilhões) com autores de ações judiciais para encerrar dezenas de milhares de processos que alegam que o herbicida Roundup causou linfoma não Hodgkin. As alegações são de que a Bayer falhou ao não alertar nos rótulos do produto sobre os supostos riscos carcinogênicos representados pelo glifosato. Segundo O Globo e UOL, o acordo foi submetido a um tribunal do Missouri, nos Estados Unidos, e visa resolver reivindicações atuais e futuras, criando um fundo financiado ao longo de até 21 anos.

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