Triplica ocupação de áreas com risco de deslizamento no país

Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se destacam no levantamento; especialista lembra que "a culpa não é da chuva".
5 de março de 2026
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Ehsan Haque/Pexels

O MapBiomas divulgou na 4ª feira (4/3) um novo levantamento sobre a urbanização no país. A ocupação em altas declividades – terrenos com mais de 30% de inclinação – aumentou mais de três vezes entre 1985 e 2024. A expansão nestas áreas, mais sujeitas a riscos de deslizamento e erosão, foi maior que o crescimento de 2,5 vezes da urbanização do Brasil no mesmo período.

Minas Gerais, que sofreu uma tragédia provocada por chuvas extremas na semana passada, com mortos e desalojados, figura como o estado com a maior área urbanizada em alta declividade do Brasil, tendo triplicado esse tipo de ocupação urbana entre 1985 e 2024. Rio Grande do Sul e Santa Catarina também se destacam pelo maior crescimento de urbanização em alta declividade em termos proporcionais, explica a Folha.

Outro indicador do aumento de exposição a riscos climáticos foi o crescimento de 145% da ocupação urbana em terrenos com altura de três metros ou menos em relação a cursos d’água, o que torna essas áreas mais vulneráveis a enchentes, alagamentos e inundações, destaca o MapBiomas. Segundo O Tempo, Roraima tem 46,4% da sua área urbanizada nestas condições, seguido pelo Rio de Janeiro, com 43%, e Amapá, com 37,6%.

Por outro lado, um quarto do crescimento urbano brasileiro nesse mesmo período temporal ocorreu em áreas com escassez hídrica, afetando 1.325 municípios. Nos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe, mais de 70% do crescimento urbano se deu nessas condições.

O MapBiomas também destaca as favelas, cuja presença em terrenos de alta declividade aumentou mais de 150%. O Rio de Janeiro lidera o ranking, com 1.730 hectares, seguido por São Paulo (1.061 ha) e Minas Gerais (1.057 ha). Além disso, a área de favelas com risco de alagamento aumentou mais de 200%, com os estados do Pará (7.450 ha), Rio de Janeiro (5.260 ha) e São Paulo (4.650 ha) liderando o ranking.

À Exame, o geógrafo Adriano Liziero reforçou recentemente que a “culpa não é da chuva” e sim “da falta de adaptação e de um modelo urbano desordenado e que empurra os mais pobres para áreas de risco”. Arrasada por chuvas na semana passada, a mineira Juiz de Fora, por exemplo, é a terceira cidade com maior área urbanizada em terrenos acima de 30% de inclinação no país, atrás apenas de Rio e São Paulo.

Além da ocupação desordenada, há o descaso governamental com ações de adaptação e prevenção. Caso do governo de Minas Gerais, que reduziu em 96% as verbas destinadas à prevenção de impactos das chuvas entre 2023 a 2025.

CNN Brasil, CBN e g1 também noticiaram o crescimento da ocupação de áreas com risco de deslizamento no país.

  • Em tempo: Segundo o AdaptaBrasil, sistema do Ministério de Ciência e Tecnologia e do INPE, atualmente 1.041 cidades brasileiras - um quinto dos municípios do país - têm risco alto ou muito alto de deslizamentos de terra. São 830 cidades com risco alto de deslizamentos de terra e 211 com risco muito alto. Juiz de Fora faz parte do primeiro grupo - um dos fatores influentes nessa pontuação é a grande quantidade de moradias em área de risco e a topografia da região. O AdaptaBrasil também mostra alguns padrões: cidades mais pobres costumam ter riscos maiores, e topografia e condições climáticas também são fatores determinantes. Na média, Sul e Centro-Oeste têm risco baixo para deslizamentos, enquanto Sudeste, Norte e Nordeste têm risco médio, informa O Globo.

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