Petrobras: alta do petróleo não é suficiente para investir mais em renováveis

Petrolífera reduziu em 20% investimentos previstos em transição energética no mesmo ano em que bateu recorde de produção de petróleo e gás.
8 de março de 2026
magda chambriard
Rafael Pereira/Agência Petrobras

Os preços globais do petróleo podem chegar a US$ 100 o barril nos próximos dias e até mesmo atingir US$ 150 no fim de março se a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã se estender e continuar mantendo fechado o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial do combustível fóssil, alerta o Goldman Sachs, segundo o Guardian. Para a Petrobras, contudo, a escalada dos valores não justifica um aumento dos investimentos em fontes renováveis de energia – algo que para 68% dos brasileiros fortaleceria a segurança energética nacional (leia aqui).

A avaliação foi feita na 6ª feira (6/3) pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros da companhia em 2025, informa a eixos. No ano passado, a petrolífera bateu recorde de produção de petróleo e gás, teve lucro líquido de R$ 110,1 bilhões – quase três vezes o lucro de 2024 -, mas reduziu em 20% os investimentos em transição energética em seu Plano de Negócios 2026-2030.

Segundo Magda, a Petrobras segue trabalhando com cenários conservadores para definir sua estratégia de investimentos, mesmo diante da volatilidade recente no mercado internacional de petróleo. “Não podemos dar bobeira. A empresa tem que estar dimensionada para os US$ 53 ou US$ 55 (o barril) e gostar de enxergar um cenário mais alto. Se eu estiver preparada para US$ 55 e acontecer US$ 120, estou rica”, disse a executiva. A urgência climática que espere.

Se o clima do planeta sofre com as decisões empresariais da Petrobras de ser cada vez mais uma empresa de petróleo e se afastar da “virada de chave” para uma empresa de energia, os acionistas enchem os bolsos no curto prazo. De acordo com a Folha, a companhia anunciou mais R$ 8,1 bilhões em dividendos a seus acionistas. Com isso, a estatal terá distribuído um total de R$ 45,2 bilhões aos investidores pelo resultado de 2025.

Dos dividendos, o grupo de controle – formado pelo governo federal e o BNDES – ficará com R$ 17,6 bilhões, ou 38% do total. Os demais R$ 27,6 bilhões irão para o bolso dos acionistas privados da Petrobras. Dos quais cerca de 40% são do exterior.

g1, O Globo, CNN Brasil, Agência Brasil, InfoMoney, O Globo, Valor e Valor também repercutiram o lucro da Petrobras em 2025.

  • Em tempo: Se não está nem aí para investir em renováveis, a Petrobras está contando os segundos para voltar a explorar petróleo e gás fóssil no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas. A diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, afirmou na 6ª feira (6/3) que a empresa finaliza os preparativos para retomar a perfuração do poço Morpho, no Bloco 59, informa a Folha. A perfuração do poço foi interrompida após ocorrer um vazamento de 18 mil litros de fluido de perfuração, no início de janeiro. Por causa do acidente, a Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo IBAMA, que constatou que o produto continha substância tóxica suficiente para impactar animais e o meio ambiente.

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