
A guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã e a invasão estadunidense na Venezuela colocaram novamente em xeque a propagada “segurança energética” associada aos combustíveis fósseis. Uma dúvida que faz parte do pensamento dos brasileiros. Afinal, para 76% da população, a transição dos combustíveis fósseis para a energia renovável é mais importante do que nunca. Além disso, seja de qual espectro político for, os brasileiros veem a transição energética como uma necessidade estratégica urgente.
Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pela agência Opinium a pedido da ONG Secure Energy Project, informa a CNN Brasil. O levantamento foi feito entre 4 e 13 de fevereiro – um mês após a invasão da Venezuela pelos EUA, mas antes do conflito no Oriente Médio.
Ainda segundo a pesquisa, 65% da população associam a dependência de petróleo e gás a um aumento da vulnerabilidade do Brasil diante de conflitos internacionais. Paralelamente, 68% dos brasileiros acreditam que o investimento em fontes renováveis contribuiria para o fortalecimento da segurança nacional. E 79% afirmam que o país deve priorizar a transição para a energia renovável, detalha o Fato Amazônico.
“Investir em energia renovável não serve apenas para enfrentar a crise climática. É também uma forma de proteger a segurança nacional do país, fortalecer a soberania energética e construir resiliência em um mundo cada vez mais instável”, reforça a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo.
Na verdade, o interesse dos brasileiros por fontes renováveis é anterior aos atuais conflitos envolvendo países produtores de petróleo e gás. As buscas pelo termo “energia renovável” cresceram 650% no Google em 2025, segundo um levantamento da agência Conversion. O dado não se limita a um movimento pontual de curiosidade, mas aponta para uma transformação na relação da população com o consumo de energia, cada vez mais conectado a critérios ambientais, econômicos e sociais, relata o SB24Horas.
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Em tempo 1: Enquanto a população vê urgência na transição energética e quer mais fontes renováveis, o governo federal preparou um contrato de 15 anos para comprar eletricidade a carvão do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, por um valor 50,2% acima da média observada em leilões que usam o mesmo combustível fóssil. O resultado é um preço de venda anual de R$ 859,7 milhões até 2040, o equivalente a mais de R$ 12 bilhões a valor presente, detalha a Folha.
Em tempo 2: Falando em eletricidade a carvão, o Instituto Arayara entrou com uma ação na Justiça Federal contra a participação de termelétricas movidas pelo combustível fóssil no leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de 18 de março. A ação afirma que a inclusão das usinas a carvão no certame apresenta vício de motivação, desvio de finalidade e viola compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. Além disso, segundo o Arayara, as usinas a carvão podem ter tempo de acionamento de até oito horas e, portanto, não oferecem a flexibilidade necessária para garantir a segurança energética buscada no leilão, informa a eixos.



