Disparada do petróleo faz G7 discutir liberação de reservas emergenciais 

Grupo diz estar pronto para adotar as "medidas necessárias" para apoiar o fornecimento global de energia; reunião com a IEA termina sem acordo.
10 de março de 2026
disparada petróleo g7 discutir reservas emergenciais 
Gerada por Gemini

Com o barril de petróleo alcançando valores não vistos há décadas devido ao ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o grupo dos sete países mais ricos do mundo (G7) resolveu agir para garantir a oferta de combustível fóssil e aliviar a pressão nos preços. Uma das alternativas em discussão é a liberação de reservas estratégicas pelas nações do grupo.

Sem qualquer sinal de arrefecimento do conflito no curto prazo, os países do G7 afirmaram estar prontos para adotar as “medidas necessárias” para apoiar o fornecimento global de energia. No entanto, uma reunião entre os ministros das finanças do grupo e a Agência Internacional de Energia (IEA) na 2ª feira (9/3) terminou sem acordo sobre as reservas estratégicas, informa a BBC. Segundo a CNBC, uma nova reunião acontecerá na manhã de hoje para tentar destravar a liberação.

Os 32 Estados-membros da IEA mantêm reservas estratégicas como parte de um sistema coletivo de emergência criado para crises de preços do petróleo. De acordo com Financial Times e Valor, três países do G7 – entre eles os EUA – já manifestaram apoio à ideia. Fontes do governo estadunidense acreditam que uma liberação conjunta de entre 300 e 400 milhões de barris – de 25% a 30% dos 1,2 bilhão de barris das reservas – seria apropriada.

Especialistas afirmam que a reserva estratégica de petróleo dos EUA não é suficiente para compensar o fornecimento bloqueado no Golfo Pérsico, resultante do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A reserva atual do país é de 415 milhões de barris, cerca de 58% de sua capacidade total autorizada, de 714 milhões de barris, segundo o  Departamento de Energia (DoE).

Por conta disso, os Estados-membros da IEA sofrerão pressão para liberar seus estoques estratégicos. Afinal, é “a única opção restante para responder à crise de oferta”, afirmam analistas da consultoria Rapidan Energy.

Países de todo o mundo já sofrem com preços elevados do petróleo e de seus derivados, bem como com ameaças ao abastecimento. Nos EUA, um dos causadores da crise, o preço médio da gasolina subiu para US$ 3,45 por galão no domingo (8/3) – aproximadamente R$ 4,74 por litro -, ante US$ 2,98 (aproximadamente R$ 4,10 por litro) uma semana antes, e deve continuar subindo. China, Índia, Coreia do Sul, Japão, Alemanha, Itália e Espanha estão entre os maiores importadores de petróleo e, por isso, fortemente expostos a choques de preços.

A escalada do preço do petróleo ameaça desencadear um surto inflacionário que pode causar danos duradouros ao crescimento econômico global. Algo impensável para um combustível fóssil propagado como necessário para garantir a “segurança energética” das nações.

  • Em tempo: A “defesa da liberdade e da democracia” tão bradada pelo atual presidente dos Estados Unidos vira bravata quando o assunto é dinheiro. Autoridades do governo do “agente laranja” defenderam no domingo (8/3) a decisão de suspender temporariamente sanções ao petróleo russo, informa o Valor. A Rússia sofre sanções econômicas desde que invadiu a Ucrânia, há quatro anos. Mas agora, com o petróleo em disparada e os preços dos combustíveis subindo nos EUA, o “Tio Sam” já não acha que os russos - um dos maiores produtores de petróleo do mundo - são tão maus assim.

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